
Jacutinga é a minha cidade natal.
Aí, pergunto a mim mesmo:
Por que fui nascer lá?
Não foi por acaso, a esmo.
Qual a razão principal?
Para saber, só há um jeito,
No tempo retroceder,
Ao meu nascimento.
Para então entender,
Investigando a respeito.
Julio de Melo e Inácia

Do século dezenove, o final,
No ano de noventa e quatro,
Egresso da Campanha,
Chega ao local que idolatro,
Um jovem e prolifero casal.
Julio Augusto de Melo.
E sua esposa, minha avoenga.
Ele conhecido como Capitão.
E ela, Inácia de Alvarenga,
Eis aí o nosso primeiro elo.
Nesse ano, foram dispostos
Lampiões, na rua principal.
O então Distrito recebia iluminação pública.
Julio de Melo assumiu sua função oficial
Do Estado, a de Arrecadador de Impostos.
Adquiriu casa para morar
E uma chácara até
Radicou-se para valer
Como cidadão de fé
Determinado a ficar.
Logo depois, “O Jacutinga” fundou.
O primeiro jornal a circular.
No ano de noventa e sete,
Para as noticias informar.
E Deus o abençoou.
No ano seguinte, participou do inicio
Da diretoria e fundação
da Loja Maçônica Minas Livre.
E Julio de Melo, o Capitão
Foi eleito Orador de oficio.
Homem de letras, de tudo entendia.
Até de leis. Uma espécie de rábula.
De fala fácil, dominava a oratória.
Transformava tudo numa fábula,.
Inácia, na sua descendência.
Registra uma histórica rebelião.
Trazia em suas veias
Sangue da malfadada Conjuração
Da Mineira Inconfidência.
Sangue genuinamente brasileiro
Sangue silvícola da Tribo Tupi
O sangue da nobreza
Do Maioral Piquerubi
Gotas do sangue caseiro.
Com Martim Affonso o sangue revela
Os mamelucos em nova casta:
Mistura de índio com português.
Mas o sangue europeu arrasta
As gotas do sangue azul de Castela.
Na virada do século nasceu
No feliz lar do Capitão
Mais uma menininha.
Nasceu a linda Conceição,
Que numa bela jovem floresceu.
Em dezoito, ela conheceu um eloqüente,
E elegante jovem chegado na cidade,
Urbano Lopes Siqueira,
Irradiando sua bela mocidade,
Cirurgião dentista, onde instalou seu gabinete.
Na década de vinte o Capitão
Vendeu tudo. Resolveu migrar.
Adquiriu uma fazenda em Jambeiro,
E com toda a família lá foi morar.
Não deu certo, falta de adaptação.
Anos depois, vendeu a fazenda.
Em São Paulo, Capital, foi morar.
Já doente e alquebrado,
As filhas, de Jacutinga, foi visitar.
E lá está para sempre, cumprindo sua senda.
Banico e Conceição
Banico era o seu apelido desde criançola
Trazido de Careaçú, onde sua família morava
Recém formado, a procura de oportunidade,
Em dezoito á nossa já então cidade chegava,
Ao mesmo tempo que fugia da Gripe Espanhola.
A jovem e bela Conceição
Em dezesseis estava formada,
Como normalista, nas Doroteias.
Logo se tornou de Banico a namorada.
Um ano depois casou com ele, em feliz união!
Foi do matrimonio desse jovem casal,
Que cheguei à Jacutinga primeiro.
Três anos depois a Lygia, a querida irmã.
Desvendando o meu paradeiro,
Respondo a mim mesmo: eis a razão principal.

Como professora Conceição muitos anos marcou presença.
Dedicou-se às letras, mulher de cultura.
Escritora, jornalista e poetisa,.especializou-se nos poemas.
De habilidades manuais, dedicou-se à pintura.
Viveu pouco. Rendeu-se à insidiosa doença.


Banico, cirurgião dentista, sua atividade principal.
Exerceu com destaque a cidadania com ardor,
Agricultor, Juiz de Paz e Juiz de Direito Substituto.
Varias vezes foi eleito vereador.
Exerceu a presidência da Câmara Municipal.

Participou das atividades sociais da urbe altaneira.
Na política sempre esteve presente.
Provedor da Santa Casa de Misericórdia.
No PSD foi membro atuante e Presidente.
Sócio fundador dos Clubes Lítero e Leão da Fronteira.
A honraria de Cidadão Honorário recebeu da Câmara Municipal.
O Dr. Urbano Lopes Siqueira faleceu com provecta idade.
Mas a sua longa passagem por Jacutinga foi materializada,
Homenageado com o seu nome numa creche da cidade.
Lugar que para viver considerava ideal.
Francisco e Ione

Vivi pouco tempo na minha cidade.
Até aos doze, na infância primeira.
Depois, já aposentado, vivi mais sete.
Mas, na hora de casar fui lá à mineira
Terra natal buscar a cara metade.
Ione era de família da comunidade.
Em Jacutinga desde o século retrasado.
Seu pai, José de Souza Toledo, o conhecido Zé Rosa.
A mãe, Maria Honoria, filha de Pinheiro ilibado,
O Major Affonso, o primeiro prefeito da cidade.

De pais de origem portuguesa,.
Ione possa ter tido
Nas veias gotas de sangue espanhol.
Mas isso não é importante ter acontecido,
O que valia era a sua majestade e interior beleza.
Desse nosso feliz enlace matrimonial
Nasceram três ricas jóias. Meus encantos!
O Kleber, a Keila e o Junior


Os dois primeiros em Campinas e o Junior em Santos.
Mas só a Keila vive na minha cidade natal.
Ela e o marido estão integrados na comunidade.
Ambos na nobre jornada da educação.
Luiz Carlos Silveira, Arrais de profissão, como secretário
E Keila, como psicóloga por formação,
Da Escola Integrada Jean Piaget, da cidade.
Luiz Henrique, filho único do atuante casal, definiu sua diretriz.
Foi lá que encontrou sua vocação.
Já está no terceiro ano de direito.
Recebeu de Deus um presentão:
É Estagiário do Cartório do Juiz.
O Francisco Junior é Administrador de Empresa.
Herdou do pai o "vírus da Manutenção".
Deu continuidade à SPES Engenharia.
Radicou-se à ciência da informação,
Conhece o assunto com firmeza.
Com Débora Maria Marceniuk ele casou.
De sangue português e ucraniano em conjunção,
Bacharel em matemática, no gerenciamento de projetos,
Especializada na ciência da informação.
O belo casal se realizou.
O Francisco Neto, para nossa alegria
No CPOR/SP seu nome de guerra é Mello
O mesmo deste seu velho avô.
Coisas de Deus. Destino paralelo.
Até na profissão. Já estuda engenharia.
Neto não é o único filho desse casal elegante.
Seis anos depois nascia sua irmãzinha Daniela.
Adiantada nos estudos, pratica ginástica olímpica.
Herança do sangue nórdico que revela
A sua silhueta esbelta e elegante.
Na formação dos filhos minha presença foi sabida.
Sempre gostei que eles exercessem sua vocação.
Mas o Kleber estudou engenharia.
Mais do que isso. Especializou-se em manutenção,
A minha experiência durante toda vida.
Ao longo do tempo, este grande reformista,
Mudou o foco dessa industrial especialidade,
Na filosofia, nos conceitos, na tecnologia.
Atualmente o seu fulcro é a confiabilidade.
Nessa ciência o Kleber é perito, douto, experto, especialista.
Kleber escolheu para esposa uma jovem de Itapetininga.
Casou com Maria Lucia Brisola Giribone, também Landim.
Mistura de bandeirantes, portugueses e italianos,
É essa Pedagoga e Administradora Escolar, enfim,
Para nossa alegria, faz parte desta história de Jacutinga.
Além de empresário supino,
Sérviu ao Governo Brasileiro,
Como Diretor de Sistemas de Informações Portuárias.
Em dois mil e oito, contratado pela Meridium como sênior engenheiro,
Migrou para a América do Norte. Mudou o seu destino.
Carol é a caçula do casal distinto.
Vive na América do Norte.
Detalhes de sua vida digo na poesia “Maria Araujo”.
Jeyson, Administrador de Empresas, é o seu consorte.
Ela é Mestre em Engenharia, para ser sucinto.
Deixei o Klebinho por derradeiro,
Porque através dele temos a esperança,
De fincar nossas raízes em Jacutinga.
Casado com a bela Fabiana, nela reside a confiança,
Do jovem e distinto casal tornar-se mineiro.

Ambos, agora empresários. Ele Bacharel em Direito há poucos anos.
Ela, Farmacêutica, filha de tradicional família,
Radicada na cidade desde o século dezenove.
Do lado da mãe é Gonçalves e do pai, Grisolia.
Caldeamento de portugueses e italianos.

Desse elegante casal nasceu a princesinha,
Giovanna, chamada Gigi, carinhosamente.
Neste meu ramo familiar ela é a sexta geração
Que em Jacutinga está presente.
Para minha grande alegria ela é a minha bisnetinha.

Com Gigi o menininho Demetrius contracena.
Da minha querida irmã Lygia o bisneto,
Na sexta geração presente na cidade.
Filhinho do Lucas, meu sobrinho neto.
E de sua formosa esposa Silvelena.