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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O PECADO E A SALVAÇÃO...

Na década de sessenta, florescente,
Empreendemos uma viagem.
Turística, ao velho continente.
O motivo de nossa abordagem.

Éramos seis damas e eu, único varão.
Na Europa iniciava-se o outono.
Pegamos o finzinho do verão.
Paris, a Cidade Luz vivia um meio sono.

Erramos a hora de visitar
O Velho Continente eterno.
Os monumentos já estavam apagados,
Em razão da anti-sala do inverno.

Mas contar dessa viagem é o que pretendo.
Um sobressalto próprio de andarengo.
Que nos infligiu num crescendo
Na noite escura do país flamengo.

Amsterdam. Final do jantar.
Ao ponto turístico, o meretrício
O nosso guia iria nos levar.
Em meia hora o ônibus daria o inicio.













Ione não quis participar.
Mas Romilda queria ver as donas.
Depois de muito conversar, decidimos visitar
As famosas marafonas.

Fomos de taxi a uma pracinha.
As mulheres a guiza de couraça,
Semi nuas, de sutiam e calcinha,
Exibiam-se protegidas por vidraça

O ponto alto foi um fato inusitado.
Em frente ao prostíbulo jovens cantando hinos de oração
Nas vitrinas mulheres oferecendo os corpos ao pecado
Na pracinha jovens mostrando o caminho da salvação













Presente estava o Exercito de Salvação,
Em vistosas fardas a juventude em louvor.
Rapazes e moças em louvação
Cantando hinos ao Senhor

Sem taxi em hora deserta,
Caminhamos cinco quarteirões.
Eu e as mulheres em caminhada incerta,
Com medo de confrontações.

Nenhuma viva alma de sul a norte.
As ruas desertas. A capital dormia
Profundamente para nossa sorte.
Uma dádiva de Deus essa calmaria.

Quando ao hotel chegamos
Avaliamos os fatos dessa madrugada.
Agradecendo a Deus, oramos.
Sãos e salvos dessa noitada.

A pracinha é pequena só na dimensão.
O homem que lá chega para acalmar a sexualidade.
Encontra, na vitrine o pecado e nos hinos, a salvação.
Certo de que, o preço do pecado é a morte e da salvação, a eternidade.



Francisco Mello Siqueira

Francisco Mello Siqueira
Santos, 27 de Outubro de 2011

domingo, 9 de outubro de 2011

REVERENDO CALVINO BATISTA PEREIRA


O Rev. Calvino é o primeiro à esquerda

Na minha distante juventude,
nos idos da década de quarenta,
já tão distante, em anos, mais de sessenta,
vivia eu em Itajubá, na sua bela quietude.
Morei com vários colegas como inquilino
do Samuel Moura, professor respeitável.
Dentre seus familiares havia um garoto amável,
cujo primeiro nome era Calvino.

Relembro de alguns fatos dessa querida cidade.
Na Rua Nova ficava a pensão, justo na beira,
ás margens do ribeirão Zé Pereira.
Desses fatos evoco com muita saudade.
Perdi de vista o tal menino.
Depois que muitos anos foram passados,
eu e ele nos tornamos concunhados.
Obra de Deus, que o vulgo chama de destino.

Com minha saudosa esposa Ione eu já estava casado,
quando o saudoso menino, já homem feito,
contraiu núpcias com Ruth, irmã de mesmo leito.
Conheceram-se na Igreja, onde seu casamento foi realizado.
Com cinco filhos, formaram uma família numerosa.
No plantel do time de futebol da Igreja,
Ele e seus quatro filhos faziam parte da peleja.
Só não participava a Suely, glamorosa.

O menino se tornou um homem de Deus.
O Reverendo Calvino Batista Pereira, um expoente,
da Igreja Presbiteriana e da Independente.
Pastoreou várias igrejas nos ministérios seus.
Estreitamos nossa amizade
em Jacutinga, quando eu, aposentado
e o saudoso Reverendo, jubilado.
Ocasião que conheci melhor sua personalidade.

Grande orador, pregava na Escola Dominical,
entremeando sua oração com pegadinhas,
arrancando risos dos fieis nas suas entrelinhas.
Mas encarnava o pastor tradicional.
Nessas ocasiões o pessoal trajava
a vontade, roupas esportivas.
Mas o Reverendo se apresentava aos convivas
Impecável. De terno preto. Como costumava.

Os fiéis idosos da Igreja
reuniam-se num Grupo de Oração,
liderados pelo Reverendo na sua oblação,
na residência de um deles, independente do qual seja.
Para mim essas reuniões duraram pouco.
Foram sete anos apenas,
Que desfrutei dessas religiosas cenas,
que hoje não passam de um estado mouco.

Homenageio esse homem religioso,
que foi o meu concunhado e amigo.
Na certeza de que Calvino desfruta do abrigo
eterno na presença de Jesus Cristo Glorioso.


Francisco Mello Siqueira

Francisco Mello Siqueira
Santos, 08 de Outubro de 2011

sábado, 10 de setembro de 2011

A ARTE MUSICAL

Há muito tempo passado,
Na minha infância, outrora,
O cinema não era falado.
Não havia a trilha sonora,
Como a conhecemos agora.
Na minha cidade natal,
Durante do filme a execução,
Uma pianista dedilhava
Musicas de sua seleção,
Adaptando-as ao clima em projeção,
Para dar aos expectadores
Mais realidade e emoção.

Fui aluno de piano dessa pianista,
Por pouco tempo. Tive que parar,
Abandonar de vez a arte musical,
Deixar de ser um artista,
Para, num colégio, me internar
E fazer o curso chamado ginasial.
Dessa fase não sai molestado.
Hoje sei que jamais seria pianista,
Não tenho o pendor de artista.
Porque sou muito desafinado.



Assista, no vídeo abaixo, a entrevista do autor comentando essa poesia.



O saudoso Deusdedit, maestro exemplar,
Tocava vários instrumentos musicais.
Mas o seu preferido era o violino,
Que o levou como membro a participar
Da Orquestra Sinfônica de Santos.
Ele era dotado de um talento peculiar
E raro: transpunha para a pauta musical
Qualquer musica que lhe fosse dado escutar.
De seu irmão, confessava humildemente,
Que Astrolábio, desse dote, era excelente!

Os meus três filhos na infância
Receberam aulas de piano
Mas só o Kleber, o mais velho
Mostrou sua habilidade na arte musical.
Em outros cursos, esse pendor foi desenvolvido
Não para ser um profissional.
Para satisfação do derivativo preferido.
Toca, além do piano e do acordeão,
O que aprendeu com Deusdedit, violão.

Como isso afinal acontece?
É apenas uma casualidade?
A genética, hoje, esclarece:
Partes dos cromossomas, os genes
São responsáveis por transmitir
De uma geração para a seguinte,
Determinadas características congêneres.

Diante dessa noticia, concluo eu
Que esse extraordinário gene
Nos casos da Keila, do Jr e do meu,
Houve um obstáculo, um embargo.
Realmente, esse gene não o herdamos.
De nós ele passou ao largo.
O Kleber da mãe herdou esse dote,
Que tem a marca Toledo.
Filho de Ione, minha saudosa consorte.



Meu sogro duas vezes foi casado.
Agraciado com uma prole generosa,
Um varão e dez formosas meninas.
De musica seu José era chegado.
Ele morava na fazenda Fortaleza.
De café, gado e diversas raças suínas.
Na zona rural, longe da cidade.
Contratou o maestro seu Murtinho,
Conhecido pianista de rara destreza.
Que ia à fazenda com regularidade,
Maestro de capacidade renomada
Era esse extraordinário moreninho,
Para ensinar música para a criançada.



Das cinco filhas do primeiro casamento
Else e a Romilda, com pendor de artista.
Dos seis filhos do segundo é maior a lista:
Diva, Ione e Esther constituem do gene, repositório.
E mais, a Ruth que desenvolveu o seu pendor de artista.
Cursou e foi diplomada por um Conservatório,
O Musical Carlos Gomes, de Campinas, paulista.
Ruth, como professora se dedicava
Ao ensino da musica e formação de organista,
Para os jovens das diversas igrejas,
Que o Reverendo, seu esposo pastorava,
O saudoso Calvino, emérito evangelista.
Há entre as irmãs interessante assertiva:
A mais bem aquinhoada foi a Diva.
Esse extraordinário gene pode ser também reconhecido
Ainda na segunda geração da família Toledo,
Na pessoa do artista plástico que tocava piano:
O Adelmarzinho, prematuramente desaparecido.

Para retornar à página dos 91 anos, por favor aclique NESSE LINK


Francisco Mello Siqueira

Francisco Mello Siqueira
Santos, 9 de Setembro de 2011




Em São Paulo, 1946

Celebrando os 91 anos de uma vida preciosa...!



No próximo dia 14 de Setembro, Francisco Mello Siqueira completará 91 anos de vida. Com muita alegria estamos - nós os seus filhos, genro e noras, netos e netas e bisneta, preparando algumas surpresas para essa festiva celebração e emocionante momento que estamos vivenciando.

Muito atento e ativo, o aniversariante também preparou algumas surpresas em retribuição...

A primeira delas é a poesia "A ARTE MUSICAL", inédita e especialmente escrita para fazer parte das comemorações relativas aos 91 anos. (para ler a poesia "A Arte Musical", clique nesse link)

A segunda delas é a crônica "ÚLTIMA RODADA!", inédita e TAMBÉM especialmente escrita para fazer parte das comemorações relativas aos 91 anos. (para ler a crônica "ÚLTIMA RODADA!", clique nesse link)

Nas próximas horas publicaremos mais uma poesia. Acompanhe pelo Blog!

O tema poético é muito interessante e a narrativa nele incluida nos evoca épocas permanentemente marcadas em nossos corações e mentes. Para mim é parte de uma viagem muito especial que farei ao Brasil, iniciando a minha estada justamente no dia 14, quando, juntamente com a Keila e o Francisco Junior e uma parte dos nossos familiares, almoçaremos juntos com o papai e a Gilda.

Certamente serão momentos preciosos e inesquecíveis. Esse será o início de uma viagem de apenas dez dias, mas que promete ser uma verdadeira jornada sentimental...



Got my bags, got my reservations,
Spent each dime I could afford.
Like a child in wild anticipation,
I Long to hear that, "All aboard!"


Mais novidades nos próximos dias.

Até Santos, Papai! Dia 14 de Setembro estaremos reunidos para celebrarmos juntos os seus bem vividos 91 anos!




Kleber Siqueira
Facebook

sábado, 18 de dezembro de 2010

CONTRASTES















Despertado pela gritaria das crianças,
naquele longínquo domingo, depois do almoço,
ainda meio zonzo daquele alvoroço,
cheguei á janela do quarto.

A de frente para o pomar.
Em pleno verão na Santa Clara.
Olhei para baixo e vi
uma imagem linda e rara.
Sob o zimbro do aramado do maracujá,
vi uma rolinha os seus ovinhos aninhar.

Voltei-me e fui para a outra janela.
A que dá para a piscina, para uma espiadela.
Vi as crianças nos seus folguedos.
No corre-corre, gritando, nos seus brinquedos.
A marronzinha, determinada,
na choca de onze dias, seus ovinhos a esquentar.
As crianças, nos folguedos sem parar.
A rolinha, pelo instinto maternal,
Contribuindo para a raça perpetuar.
As crianças, nessa idade de inocência angelical.

Francisco Mello Siqueira

Francisco Mello Siqueira
Santos, 15 de Dezembro de 2010

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Maria Araujo

Maria AraujoCali é a bela caçula de Kleber e Maria Lucia, o simpático casal.
Atualmente, uma jovem senhora de nome comprido:
Maria Carolina Giriboni Siqueira Araujo.
Mas, para Maria Araujo, seu nome foi reduzido.
Para facilitar o relacionamento profissional.

Hospedada pelos amigos Jesse e Guilhermina.
Na Califórnia, aos catorze anos, as férias foi passar.
Gostou tanto que retornou nos três anos seguintes.
Com Jeyson, o filho único do casal, a amizade iria terminar,
Quando, aos dezoito anos, o namoro deles descortina.

No fim de noventa e oito, concluído o colegial,
Com os amigos americanos foi morar.
No ano seguinte cursava o West Los Angeles College
.
Em primeiro de julho de dois mil, em São Paulo, fomos participar
Do casamento com Jeyson, do seu magnífico e concorrido enlace matrimonial.

Administrador de Empresa é Jeyson Neves Araujo,
Pela UCSB - Universidade da Califórnia - Santa Barbara
.
Gerente financeiro de empresa no comércio de granitos e mármores.
Jeyson e Cali têm dupla cidadania. O que equipara,
O belo casal como legal. Não ser tachado de intrujo.

Em dois mil e dois, do College, o título Cali recebeu,
De Licenciatura em Matemática.
Com distinção, foi transferida para o terceiro ano da UCLA - Universidade da Califórnia - Los Angeles
.
Em dois mil e quatro formou-se em Engenharia Elétrica.
Com o mérito Maximo summa cum laude
que mereceu.

Ainda na Universidade da California - Los Angeles. Com o curso incompleto,
Pela Honeywell Aerospace
foi contratada,
Também selecionada por Boeing, Microsoft e Intel.
Como profissional esteve empenhada
No novo modelo de avião da Airbus, o gigante A-380. Em seu projeto.

Na Honeywel durante quatro anos trabalhou
Quando na UCLA o título obteve
De Mestre em Ciências - Engenharia Elétrica
Mas isso não a deteve
Em Sistemas Digitais de Controle se especializou.

A partir de março de dois mil e oito sua vida foi remexida.
Enveredou-se, da ciência, nas brenhas invulgares.
Como Engenheira Pesquisadora do SWRI - South West Research Institute
,Certificada pelo Governo para projetos aeroespaciais especiais, civis e militares.
Recentemente, pelo SWRI, já obteve uma sua pesquisa reconhecida.

Isso acarretou ao jovem casal
Uma mudança de endereço: um novo aprisco.
Deixou a Califórnia para morar no Texas,
Em San Antonio
, deixando para traz o endereço prisco.

Jantando em Houston, TX

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

HELIOTRÓPIO

Heliotrópio

Se no tempo voltarmos muito,

Até aos idos de minha meninice,

Gratas lembranças surgem em minha mente.

Coisa esquecida, como se não existisse,

Que desejo reviver com prazer e intuito.


Na antiga casa de meus pais,

Anos depois, a sete sete meia

Da rua Américo Prado,

Minha mente rebusca e clareia

Bela arvorezinha, não esquecida jamais


Na saída da porta da cozinha,

Do lado direito, junto ao muro,

Florescia perfumado arbusto,

Engalanado do mais belo apuro,

Enriquecendo a bela arvorezinha.


De estilo particular e próprio,

A flor formava um cacho pleno,

Cônico, de cor roxa e de bico para baixo.

Bem proporcionado, um cacho pequeno.

Rara flor que conheci como Heliotrópio.




Francisco Mello Siqueira

Santos 28 de Dezembro de 2009

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

GIOVANNA



Nesta madrugada de 04 de Novembro, acordei antes do alvorecer e inspirado pela emoção e expectativa da chegada da minha primeira bisneta escrevi um poema que a ela, a seus pais, aos avós, aos tios e tias, familiares e amigos dedico com muito carinho.


GIOVANNA


Giovanna rima com Hosana.

Grito de alegria, aclamação.

É dela a minha alusão.

Hosana nas Alturas,

Paz na Terra.

Neste quatro de novembro

De dois mil e nove,

Grande acontecimento encerra!

É quando Deus promove,

A chegada de importante membro,

De nossa feliz estirpe.

E muito nos comove.


Essa linda menina,

Que a todos fascina,

Do jovem casal,

Kleber e Fabiana,

É a primeira filha.

Destaque sem igual.

É a primogênita

Do jovem e elegante casal.

Que nesmo antes de nascer, brilha.


Não precisa ser profeta,

Para saber da alegria,

Que essa primeira linda neta,

Aos quatro avós propicia.

Para eles ela representa

Aquelas importantes garantias,

Um verdadeiro elo de união,

Que junta importantes famílias


Aos tios e tias os meus

Parabéns, extensivos

Aos demais familiares seus,

Pelo importante evento,

Que é a chegada da Giovanna,

O dia de seu nascimento.


Quanto a mim, agradeço a Deus,

Pelos desígnios Seus.

Assim Ele decreta,

A chegada de minha bisneta,

A primeira e muito dileta.

Em que pese a diferença,

de idade. De quase um século

De vida. Ela no sopé

E eu no pináculo,

Eventos esses simultâneos,

Só mesmo por Deus e pela fé

É que nos torna contemporâneos.



Seu Bisavô "Chico Mello"

Santos, 04 de Novembro de 2009

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

FÉ

FÈ
Francisco Mello Siqueira
À Ione, saudosa e amada esposa.

Fé é amar,
Amar a Deus no altar?
Ou é se emaranhar
Nas brenhas do pensar?

Não, Fé é acreditar,
Naquilo que se não pode ver
É ter certeza do que vai acontecer.
Nisso vale a pena meditar.

Fé tamanha, inabalável.
Pouca gente pode ter.
A de Ione devo enaltecer.
Pois é Fé inquebrantável..

= O =

Santa Clara, Junho de 2003

sábado, 11 de julho de 2009

SOBRE A POESIA "A MORTE DE IONE"

Querido papai,

Fico muito comovido com esta sua delicadeza em compartilhar conosco este poema que retratou um momento solene na vida de todos nós.

Hoje, após a reuinião de oração nosso grupo compartilhou de um ágape fraternal. Durante aqueles momentos, a conversa me fez falar do quanto havia sentido a perda da mamãe e de como Deus foi bondoso para comigo e com ela pois na véspera de minha viagem aos EUA e a Curaçao, fiz um esforço muito grande para ir à fazenda visita-los. na verdade, senti-me como que compelido por algo que não sabia o que era exatamente.

Era a minha despedida dela.Nunca mais pude vê-la. Confi-o em Deus, que através da misericórdia da salvação em Jesus Cristo e com a graça da presença do Espirito Santo nos conduzindo enquanto aqui ainda permanecermos, um dia estaremos juntos novamente no Paraíso. Todos nós. Oro para que nenhum dos nossos queridos fique de fora desta benção eterna.

Fico por aqui. As lágrimas que estou sentindo em, minha face expressam o quanto tais lembranças são valiosas para mim.

Beijos ao SR. e a Gilda.

Com amor.

Kleber

sexta-feira, 10 de julho de 2009

A MORTE DE IONE

A MORTE DE IONE

Cinqüenta e cinco anos de casados.
Uma longa vida em comum.
Coitadinha da Ione.
Não pude conter as lágrimas.
Meu coração está compungido.
A notícia da morte é muito triste.
A gente sofre um verdadeiro tranco.
A dor é muito profunda.
Vejo-a no caixão imóvel. Com a face tranqüila.
Parece que está dormindo.
Não fala, não ouve, não responde.
O seu semblante é tão calmo, que a vi mexer as pálpebras.
Mas a realidade é muito cruel.
Vejo-a em todos os lugares.
As suas coisas se parecem com ela.
O meu consolo é a sua inabalável fé em Deus.
Ela estava pronta para a viagem final.
È por isso que me sinto conformado.
Mesmo porque, desse cálice ninguém deixará de beber.
E quando ele nos for apresentado, a minha esperança é encontrá-la,
Nas alturas celestiais, na glória de Deus.


- 0 -
Santa Clara, junho de 2003

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O MARIMBONDO

O MARIMBONDO

Numa das belas manhãs ensolaradas,
Límpidas, alcandoradas,
Decidimos fazer umas andanças.
A sugestão foi uma caminhada,
Que faríamos numa cavalgada.
Para alegrar nossas crianças.

Ione, o Dourado montaria.
Na garupa, a Carol levaria.
A Aquarela já estava preparada.
E o Klebinho? Bem, em princípio,
Daria um repasso no Município.
Eu, na égua, faria a largada.

Pela estrada interna, de terra,
Partimos rumo ao alto da serra.
Ione, na frente, puxava a fila,
Começamos, então, a subida,
Passo a passo, sem corrida.
Pura alegria dos tenros anos da Bila.

Logo no começo da jornada,
Um tatu assustou a criançada.
Apareceu, saído da toca.
Ao surgir de supetão,
Na frente do pelotão.
Sumindo na barroca.

A nossa marcha continuou.
Uma grande ave pousou
Na ponta de um mourão.
Ela pressentia uma caça.
Repasto bom, até à carcaça.
Era de um belo porte o gavião.

A Carol estava com fome.
O Bilo, nem sabia seu nome,
De tanta sede, via até miragem.
Estávamos da subida, na metade.
Paramos, para saciar a vontade.
Forrar o estômago e admirar a paisagem

Retomada a marcha ecológica,
Satisfeita a vontade fisiológica,
Chegamos ao topo. Que alegria!
Debaixo das linhas de transmissão,
De Furnas, com energia em profusão,
Para girar, de São Paulo, a economia.

Desse privilegiado lugar.
A Natureza é bela, sem par!
Ampla visão se descortina.
As crianças ficaram maravilhadas.
Viram a Fazenda e as encruzilhadas.
E acharam a nossa casa pequenina.

Chegou o momento de voltar.
Formamos a fila para caminhar.
Uma coruja as crianças avistaram
Circunspecta, na porta da toca,
Seu predileto lugar para a choca.
Incidente que elas mais gostaram.

Na descida da serra há um atalho,
Usado pelo pessoal, ao final do trabalho.
Encurta o caminho, mas é pirambeira.
Com todo o cuidado a descida começou.
Quase lá em baixo, o burrinho disparou.
Galopei e consegui entrar na dianteira.

A Catol ia escorregando para o chão,
Amparada por Ione, desesperada, pela mão.
O Dourado parou. Mas estava inquieto.
Felizmente, tudo não passou de um susto.
O burrinho esbarrara num arbusto,
E foi picado por um marimbondo, abjeto.

Depois daquela apertura,
De nossa verdadeira aventura,
Da feliz excursão matutina,
Chegamos sãos e salvos ao portão,
Da Fazenda Santa Clara, o terreirão.
Para festejar a excursão campesina.

Estava terminada a correria.
Agora era deixar a montaria.
E se preparar para almoçar,
Com a vontade se predispondo.
Mas o assunto era o marimbondo,
Dele que as crianças queriam falar.

- O -































sábado, 27 de junho de 2009

O REVOLVER E A ESPADA

O REVOLVER E A ESPADA

Política, em cidade pequena,
É pior que gangrena.
O povo se divide na época de eleição.
Até no comércio. Nas coisas do diário,
O povo só compra do correligionário.
Porque isso o partido ordena.

Na minha pequena cidade,
Desde quarenta e cinco, na verdade,
A UDN perdia as eleições.
Para o PSD, que sempre ganhava,
Com Getúlio, que na frente estava.
E parte do povo sofria da derrota, as emoções.

Derrotas devidas ao Brigadeiro do Ar,
Pé frio. Sua candidatura não conseguia decolar. .
Mas, em sessenta, surgiu um filólogo, um crânio,
Que deu à UDN estrondosa vitória.
E, mudou do Brasil, o curso da história.
Elegeu como Presidente o Jânio.

Nas comemorações, na minha terra,
Até mesmo algum ódio desenterra.
O exagero chega às raias do desmando.
Com bombas atiradas nas residências,
Dos políticos adversários em evidências.
Era a forra maldosa e nefanda.

Onze da noite ia tarde o horário.
Meu sogro, um homem temerário,
Com o estrondo da bomba se surpreende.
De revólver em punho, arrastava as filhas
Que o impediam. Robusto e forte, a arma engatilha.
Mas, ao clamor das meninas, o pai se rende.

Zé Rosa era membro do diretório e influente.
Mas papai, do partido, era o presidente.
Esperar para ele dose dupla, natural seria.
A forra da UDN tinha sabor de vingança.
Depois de quinze anos, era essa a noite da festança,
E o seu Banico também a bomba receberia.
Quando a bomba detonou,
Mamãe, determinada, da cama pulou,
Empunhou do vovô a espada.
- Banico, vamos enfrentar essa gente.
É coisa de moleque irreverente,
Uma corja, essa cambada.

Papai, com a calma que lhe era peculiar,
Verdadeiro político, sagaz, sem se agitar,
Mostrou o seu pendor de estrategista.
Ajeitou-se na cama e com tranqüilidade,
Acalmou a mamãe com toda afetividade.
Analisando o contexto como um enxadrista.

- Esse pessoal está entusiasmado,
E com vitória não está acostumado.
É um perigo tratar dessa coisa agora.
Amanhã, Conceição, eu resolvo isso.
Será o meu compromisso.
Até lá esse ardor já foi embora.

- O -


sexta-feira, 19 de junho de 2009

O TREM DE FERRO


O TREM DE FERRO

Depois da semanal estafante viagem,
E agradecidos à Esther pela nossa hospedagem,
Concluída, da casa da Fazenda, a reforma.
Pela primeira vez, naquele momento,
Eu e Ione dormíamos no nosso novo aposento,
Estreando-o em profunda madorna.

Mas fomos acordados por um ensurdecedor barulho.
Estrondos. E de motor acelerado, o característico bulho.
Perto da meia noite. Coisa nunca vista no pedaço.
Abri a janela. Enorme composição ferroviária,
Encravada, por falta de força tracionaria.
Provocava todo aquele estardalhaço;

Sapucaí era o fim da linha Sul Mineira, da Estrada.
Que cruzava a Santa Clara pela baixada.
No sentido cidade, havia uma suave subida.
Vagões demais para uma máquina fraca,
Era a responsável por aquela urucubaca.
O maquinista dava ré e acelerava tudo na corrida.

Saia fogo dos trilhos, na derrapagem.
Faíscas, estrelinhas em chamas, na noturna paisagem.
Repetidas vezes assistimos ao espetáculo.
Até que, num forte embalo, o trem conseguiu subir.
E lá se foi a composição na estrada sumir.
Perdemos o sono. Mas vimos, vencido, o obstáculo.

- O -












quarta-feira, 17 de junho de 2009


CARTEADO

Acordei hoje e me bateu a saudade.
São essas coisas próprias da terceira idade.
Do Mário Barros Pinheiro lembrei-me do nosso antigo
E feliz encontro acidental.
Pela Graça de Deus, ação providencial.
Que fez dele meu grato e particular amigo.

Eu fui ao circo levar as crianças.
Perto de nós, nas vizinhanças,
Divisei o Mario, com Ana Flora.
Há muito tempo, não nos víamos.
Na verdade, mal nos conhecíamos.
Duradoura amizade começou naquela hora.

Ione, de Iracema ficou amiga.
Pra valer, à moda antiga.
Nossos filhos ficaram amigos excelentes.
Aos domingos, ao final do dia,
Mario reunia a família toda e pizas servia,
Nós éramos seus convidados permanentes.

O que dizer do pôquer? Das nossas rodadas?
O cacife era pequeno. As mãos, pingadas.
Como sempre éramos os mesmos parceiros,
A longo prazo, o dinheiro rodava.
Ninguém perdia ninguém ganhava.
Saiamos, em casa, com os mesmos dinheiros.

Freqüentemente, aos sábados, nos reuniamos
Na casa do Deusdedit. É para lá que íamos.
Eu, o Mario e o Juquinha, o Paga Multa,
Apelido no Correios adquirido,
De onde ele, do Deusdedit, era amigo.
Usava marca-passo. Problema de saúde, antigo.

Essas tardes eram prazerosas.
Só pelo papo, deliciosas.
O Kleber, às vezes participava.
A Elizinha, para agradar o irmão,
Servia pasteizinhos, durante a reunião.
Ele era ruim de boca, mas desse quitute gostava.

Numa rodada boa e graúda
A mesa cresceu. Ficou polpuda
Dadas as cartas pelo Mário,
Eu, na mão, abri como de costume.
Deusdedit repicou alto. Mostrou que assume.
O Juquinha colocou na mesa o numerário

Mário, na sua vez, aumentou o repique, na hora.
Eu, que tinha na mão um futebol, caí fora.
Tudo indicava, para os nossos padrões, uma bolada,
O Deusdedit, calmamente pegou as fichas e pagou.
O Juquinha, pensou, pensou, e na mesa, as fichas colocou.
Na pedida de cartas, decidir-se-ia a jogada.

O Deusdedit passou, cartas não pediu.
O Juquinha, ao pedir uma, o jogo conferiu.
O Mario, depois de servir a ambos, duas solicitou.
E o Deusdedit? De pronto, apostou.
O Juquinha, para um “royal street flash”, só faltava uma dama.
Ao filar a orelha da sota, sofreu tremedeira e apoplético ficou.

O jogo parou. Apreensivos ficamos com a sua emoção
A pontinha vermelha da dama levou-o à comoção.
Estava sofrendo um mal-estar desgastante.
O Paga Multa quase morreu. Nos assustou.
O “street” máximo, de ouros, ele fechou!
Transtornado, colocou as cartas na mesa, ofegante.

O Deusdedit, atilado, anteviu que não poderia participar
A sua seqüêncinha, era aquela cujo apelido não posso falar.
As cartas do Mario, como bom jogador, ele manteve retidas.
O susto que sofremos foi grande demais.
Deixamos de jogar pôquer. Reunimo-nos jamais.
Essa rodada eu resgato, por fazer parte de nossas vidas.

- O -

segunda-feira, 30 de março de 2009

IONE

IONE

Tinhas só quinze anos! Nosso primeiro beijo!
Esbelta, de bom gosto, muito linda mulher!
No amor juvenil, nas férias sequer.
Muitos anos depois, amor e desejo.

Fostes minha musa. Mulher do coração.
Vivemos grande amor, amor de amantes.
Diferente daquele inocente de antes.
Vivemos intensa e mui grande paixão.

Nasceram três gemas, jóias preciosas.
Três bonitos filhos. almas prazerosas.
É bênção de Deus. Sessenta anos de amor!

Deixaste-nos breve, inesperadamente.
Tudo muito rápido. Foi tão de repente!
Fostes para Deus, na glória do Senhor.

- O -

domingo, 15 de fevereiro de 2009

O CULTO DOMÉSTICO

Amanheci hoje aborrecido.
Aborrecido mesmo comigo.
Mas já descobri e até consigo
Saber de pronto o acontecido.

Estou muito bem fisicamente.
Há pouco o meu check-up trimestral,
Como sempre, estava normal.
Mas não me sinto bem. Infortunadamente.

Não sei por que recentemente,
Deixei um saudável habito de cumprir.
Mas quero de imediato me ressarcir
E voltar na pratica de antigamente.

A partir de hoje e de agora
Voltaremos às nossas antigas reuniões.
Louvando a Deus em meditações
De sua palavra que nos revigora.

Não tem limites a Graça do Senhor.
Para o perdão do nosso pecado.
Seja ele grande, pequeno ou moderado.
O que importa é o Seu amor.

O pecado pode ter até a cor do açafrão!
Como diz o profeta Isaias: Escarlate!
Mas para o Altíssimo não é um disparate.
A sua Graça, o torna alvo como algodão,

A certeza de que tudo voltará à normalidade,
Para nós isso só já nos basta.
Ao saber que Deus de nós não se afasta.
Por causa de mera casualidade.

- O -

domingo, 8 de fevereiro de 2009

CATARSE

CATARSE

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Surpreendidos somos as vezes

Com emoções muito fortes.

São fatos importantes, transcendentes.

Que deságuam em nossa vida como revezes.

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Isso aconteceu comigo

Logo depois do Natal.

De inicio achei que fosse fatal,

Mas Deus foi meu amigo.

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Em dois mil e oito estava em Minas,

Em casa de minha querida filha.

Lugar de céu sem manchas, que brilha

Num clima de festas natalinas

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Amanheci com dor na perna. Foi um alarde!

Muito forte e nunca antes sentida.

Com remédios caseiros foi prometida

A cura. Que não aconteceu até à tarde.

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Consegui de um médico a assistência.

Cuja palavra foi de importância capital.

"Quer salvar sua perna? Vá rápido para o hospital."

Em viagem para Santos sofri com insistência.

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Por um especialista fui atendido.

Depois de exame detalhado:

"Não é caso de cirurgia. Isso está afastado".

Fui internado para o tratamento devido.

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Foi um alivio que sofri nesse exato momento.

Descontração que acontece depois das fortes emoções.

Que bolem com o coração até aos últimos filões.

Mas que extrai de nossa alma o abrasamento.

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O TERCEIRO TOMBO

O TERCEIRO TOMBO

Durante os anos que moramos na fazenda

Fizemos amizade a Nogueira, nosso visinho.

Ele e sua esposa, Donana, moravam ali, pertinho

Visitamo-los várias vezes na sua bonita vivenda.

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Nogueira e Chico Paiva no mesmo dia foram sepultados.

O Chico em Jacutinga e em Itapira, o Nogueira.

Nogueira foi velado na sua casa, com carpideira.

Fui lá levar os pêsames aos familiares enlutados.

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O local de estacionamento estava lotado.

Mas divisei uma vaga nas proximidades. Então

Estacionei. Ao sair do carro não achei o chão.

Cai em pé numa valeta seca, assustado!

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Ali havia um bueiro para atravessar a estrada.

Coloquei o pé num tijolo para sair do buraco.

Com o meu peso o tijolo quebrou. Que fraco!

Consegui sair. Fui procurar a Donana, enviuvada.

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Ralei a canela. Ferida extensa, mas superficial.

Dois tombos no mesmo dia é demais! Como a isso resistir?

O que aconteceu é nada. É o que tenho que admitir.

A graça de Deus mais uma vez me salvou do mal!

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O SEGUNDO TOMBO

O SEGUNDO TOMBO

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Em dois mil e quatro construí um jazigo

No cemitério de minha cidade natal.

Ao seu lado sofri uma queda acidental.

Depois do enterro de um amigo.

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Do saudoso Chico Paiva fui ao velório.

E participei do concorrido cortejo.

Depois do sepultamento tive o desejo

De rever o nosso futuro depositório.

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Ele está embaixo de dois enormes coqueiros

Cada um com grande cacho de coquinhos.

Que depois de maduros eles caem amarelinhos

No rampado chão de grama rasa, traiçoeiros.

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Desavisado, não me dei conta do perigo iminente.

Pisei sobre eles e deslizei caindo de costas, pranchado.

Ainda no chão procurei examinar-me, preocupado.

Divisei ao longe, no portão, a saída do ultimo presente.

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Cheguei a pensar em ter ficado inválido.

Nada aconteceu além de um grande susto.

Acalmado, levantei-me com muito custo.

Ileso, agradeci a Deus. Mas, fiquei pálido.

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