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sábado, 4 de fevereiro de 2012

O SENSITIVO
















Em trinta e sete, os ares
de Campinas, em marcha para a modernidade,
já mostravam ser uma grande cidade.
Na treze de maio havia um prédio de cinco andares.

Entroncamento ferroviário de valor inconteste,
centro medico adiantado,
de doenças de olhos, renomado,
era balizada como a “Princesa do Oeste”.

Cursava eu o quinto ano do externato
do Colegio Ateneu Paulista.
Era eu, de dona Alaíde, por sua gentileza pensionista,
amiga de mamãe de longo trato.

Dona Alaíde morava com uma filha.
Aidé, farmacêutica, solteira, esguia e alta.
Alaíde era cortejada por um senhor nascido em Malta,
com um filho aqui e outro lá na Ilha.

O de lá dirigia da família um jornal.
O daqui, José da minha idade,
era um columbófilo da cidade.
Estudava levando vida normal.

Antiga possessão inglesa que se tornou
hoje em estado europeu,
diz a Bíblia do naufrágio que lá aconteceu,
do qual o apostolo Paulo se salvou.

Tinha outras três filhas a Dona Alaíde.
Há nisso uma particularidade:
os genros dessa mulher de meia idade,
eram irmãos. E ela assinava Guidi.

O amor de Falson não era correspondido.
Mas havia entre ambos uma amizade muito forte.
De irmãos e que não teria outra sorte,
há não ser um trato bem mantido.

Diariamente Seu Falson chegava,
no horário nobre das novelas do radio,
para desfrutar um convívio sadio.
Um bate papo que agradava.

Seu Falson era engenheiro e vivia bem.
Com escritório aberto sua profissão praticava.
Mas tinha um poder. Era médium, psicografava,
mensagens do além.

Uma mulher de pouca idade,
foi internada na Beneficência, no hospital.
Em grave estado terminal,
a jovem era conhecida de nossa cidade.

Naquela noite longínqua, em papo animado,
um suspense! Seu Falson avisou-nos do ocorrido:
a moça de Jacutinga havia morrido.
Fato que em seguida foi confirmado.

Dessas recordações de minha idade jovial,
de duas coisas passei a ser crente:
desse misterioso poder da mente
e da importância da columbofilia na Primeira Guerra Mundial.




Francisco Mello Siqueira

FRANCISCO MELLO SIQUEIRA
Santos, 20 de Janeiro de 2012





domingo, 25 de dezembro de 2011

A PRAÇA PRINCIPAL













Quando aportei em Itajubá, a bela cidade,
Nos idos de quarenta do século passado,
O jardim da praça principal era todo arborizado,
Com arvores frondosas, de muita idade.

Muita coisa que do vulgo é paixão,
Localizava-se naquele pequeno solo.
Primeiramente cito o Cinema Apolo,
Com Cidadão Kane e Casablanca em exibição.















Aos domingos, na matinê, o titulo
Do Flash Gordon lotava o cinema.
O suspense do seriado era o estratagema,
Para garantir bilheteria no próximo capitulo.

A seguir recordo do Grande Hotel ,
Das lojas do térreo, a de Basílio Pinto,
De produtos odontológicos. Homem distinto.
Pai do colega e amigo Manuel.
























Do Clube Itajubense, a fina flor da sociedade,
Evoco as domingueiras dançantes.
E os bailes oficiais de formatura de estudantes,
Ocasião que lotava os hotéis da cidade.

Do Bar Acadêmico, o bom restaurante.
Do chope disputado no pôquer de dados.
A degustação aos domingos de um dourado.
Local muito freqüentado por estudante.

De Alcides Faria, destaco a bela mansão.
Como prefeito, ele o jardim modificou.
Grande obra que o eternizou,
Como homem de muita visão.

O jardim foi todo demolido.
Surgiu um moderno de linhas avançadas.
Nas laterais, com largas calçadas.
Serviço rapidamente concluído.

Surgiu o “footing” nesse novo espaço,
Fazendo parte do lazer da sociedade.
Marco de encontro da mocidade.
Um importante e novo pedaço.















No “footing”, muitas voltas davam
As moças, no sentido horário.
E os rapazes, seguiam-na ao contrario.
Momento em que os flertes se cruzavam.

Depois do flerte aprovado.
O namoro era consentido.
E o casal então recém unido,
Saia, para um colóquio reservado.

Nessa hora ia começar o cinema.
O costume era a presença obrigatória.
O que fazia parte da cultura e da história.
Para os namorados, o melhor esquema.

Depois de tantos anos, com muitas rosas,
O novo jardim envelheceu.
O que era arbusto cresceu.
Tornaram-se árvores robustas e frondosas.











E nós, que naquela época, em fim.
Éramos jovens, cheios de projetos,
Envelhecemos também e já temos bisnetos,
Idosos, como as árvores desse jardim.

Estudante, na época de minhas recordações.
Longe de casa, mas integrado na comunidade.
Sempre recebido com fraterna amizade.
Tornou-se parte importante de minhas tradições.




Francisco Mello Siqueira

Francisco Mello Siqueira
Santos, 9 de Outubro de 2011





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Fotos de Itajubá antiga: CONEXÃO ITAJUBÁ

sábado, 24 de dezembro de 2011

RIO SAPUCAÍ


















Na minha época de estudante,
Em Itajubá, cidade que me encantava,
Conheci um rio que por ela atravessava,
Do qual na minha vida foi participante.
Não quero falar da sua história.
Mas apenas do relacionamento
Que mantive com ele, naquele momento,
Que fez parte de minha trajetória.

Mais de uma vez, após uma chuva de verão,
Fomos pescar de tromombó. Interessante pescaria!
Que demonstra uma popular sabedoria.
O resultado é tão grande, é peixe de montão.
Estaciona-se a canoa próxima à margem.
Um pescador na popa e outro na proa, sem anzol.
Em pés, estendendo um lençol,
Ao baterem os pés, os peixes saltam e caem em profusão.

Foi nesse rio que aprendi a remar.
Primeiramente a usar o varejão,
Conduzir canoa com vara grande, varão.
Em pé, exige destreza e muito equilibrar.
Tive a oportunidade de o remo praticar.
Um esporte deveras cativante.
Iole era o tipo do barco flutuante,
Com dois remos para um só remador,
Equipado dos petrechos necessários ao amador.
Para o esporte não ser extenuante.













Nesse rio fui treinado para ser guerreiro.
Na Segunda Grande Guerra fui convocado.
Durante quase um ano servi como soldado,
Ao valoroso Exercito Brasileiro.
Depois, para o NPOR fui transferido,
Sempre alocado no 1º Batalhão de Pontoneiros.
Para montar pontes, como serviços rotineiros,
Tentando ultrapassar o melhor tempo conseguido.

Não participei de combate. Não me queixo.
Não estive no “front”, na Itália.
Dessa histórica represália,
Que a FEB infligiu aos países do Eixo.
No Brasil fiquei em treinamento.
E diariamente convivi
Com esse famoso Rio Sapucaí,
Que fez parte do meu aperfeiçoamento.



Francisco Mello Siqueira

Francisco Mello Siqueira
Santos, 9 de Outubro de 2011

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O PECADO E A SALVAÇÃO...

Na década de sessenta, florescente,
Empreendemos uma viagem.
Turística, ao velho continente.
O motivo de nossa abordagem.

Éramos seis damas e eu, único varão.
Na Europa iniciava-se o outono.
Pegamos o finzinho do verão.
Paris, a Cidade Luz vivia um meio sono.

Erramos a hora de visitar
O Velho Continente eterno.
Os monumentos já estavam apagados,
Em razão da anti-sala do inverno.

Mas contar dessa viagem é o que pretendo.
Um sobressalto próprio de andarengo.
Que nos infligiu num crescendo
Na noite escura do país flamengo.

Amsterdam. Final do jantar.
Ao ponto turístico, o meretrício
O nosso guia iria nos levar.
Em meia hora o ônibus daria o inicio.













Ione não quis participar.
Mas Romilda queria ver as donas.
Depois de muito conversar, decidimos visitar
As famosas marafonas.

Fomos de taxi a uma pracinha.
As mulheres a guiza de couraça,
Semi nuas, de sutiam e calcinha,
Exibiam-se protegidas por vidraça

O ponto alto foi um fato inusitado.
Em frente ao prostíbulo jovens cantando hinos de oração
Nas vitrinas mulheres oferecendo os corpos ao pecado
Na pracinha jovens mostrando o caminho da salvação













Presente estava o Exercito de Salvação,
Em vistosas fardas a juventude em louvor.
Rapazes e moças em louvação
Cantando hinos ao Senhor

Sem taxi em hora deserta,
Caminhamos cinco quarteirões.
Eu e as mulheres em caminhada incerta,
Com medo de confrontações.

Nenhuma viva alma de sul a norte.
As ruas desertas. A capital dormia
Profundamente para nossa sorte.
Uma dádiva de Deus essa calmaria.

Quando ao hotel chegamos
Avaliamos os fatos dessa madrugada.
Agradecendo a Deus, oramos.
Sãos e salvos dessa noitada.

A pracinha é pequena só na dimensão.
O homem que lá chega para acalmar a sexualidade.
Encontra, na vitrine o pecado e nos hinos, a salvação.
Certo de que, o preço do pecado é a morte e da salvação, a eternidade.



Francisco Mello Siqueira

Francisco Mello Siqueira
Santos, 27 de Outubro de 2011

sábado, 10 de setembro de 2011

Celebrando os 91 anos de uma vida preciosa...!



No próximo dia 14 de Setembro, Francisco Mello Siqueira completará 91 anos de vida. Com muita alegria estamos - nós os seus filhos, genro e noras, netos e netas e bisneta, preparando algumas surpresas para essa festiva celebração e emocionante momento que estamos vivenciando.

Muito atento e ativo, o aniversariante também preparou algumas surpresas em retribuição...

A primeira delas é a poesia "A ARTE MUSICAL", inédita e especialmente escrita para fazer parte das comemorações relativas aos 91 anos. (para ler a poesia "A Arte Musical", clique nesse link)

A segunda delas é a crônica "ÚLTIMA RODADA!", inédita e TAMBÉM especialmente escrita para fazer parte das comemorações relativas aos 91 anos. (para ler a crônica "ÚLTIMA RODADA!", clique nesse link)

Nas próximas horas publicaremos mais uma poesia. Acompanhe pelo Blog!

O tema poético é muito interessante e a narrativa nele incluida nos evoca épocas permanentemente marcadas em nossos corações e mentes. Para mim é parte de uma viagem muito especial que farei ao Brasil, iniciando a minha estada justamente no dia 14, quando, juntamente com a Keila e o Francisco Junior e uma parte dos nossos familiares, almoçaremos juntos com o papai e a Gilda.

Certamente serão momentos preciosos e inesquecíveis. Esse será o início de uma viagem de apenas dez dias, mas que promete ser uma verdadeira jornada sentimental...



Got my bags, got my reservations,
Spent each dime I could afford.
Like a child in wild anticipation,
I Long to hear that, "All aboard!"


Mais novidades nos próximos dias.

Até Santos, Papai! Dia 14 de Setembro estaremos reunidos para celebrarmos juntos os seus bem vividos 91 anos!




Kleber Siqueira
Facebook

sábado, 4 de junho de 2011

Um tesouro perdido na Serra do Mar...




Gostei muito desse documentário sobre a vila inglesa de Paranapiacaba. Minha infância foi passada na Usina da Light, em Cubatão (1949 a 1960).

Muitas vezes, em finais de semana, visitamos amigos que trabalhavam para a ferrovia, e ali passávamos o dia. Muitas vezes íamos nos banhar e fazer pic-nic em cachoeiras lindíssimas. Minha mãe gostava muito daqueles passeios.

À tarde, com a chegada do tradicional "fog" local, voltávamos no último trem de passageiros para Cubatão. Durante a viagem de mais ou menos 45 minutos, nos deliciávamos observando as matas, a vegetação exuberante, as cachoeiras, as aves, os sons e as muitas belezasa da Serra do Mar.

O sistema funicular era um espetáculo de engenharia no meio da incrível beleza natural que nos cercava! Era uma prova viva de que uma obra de importância sócio econômica pode ser realizada sem desequilibrar o sistema ecológico.

Realmente é lastinável que não tenha sido possível preservar melhor essas maravilha debruçada no topo da Serra do Mar.

Viajei no Cometa e gostei muito de recordar o silvo dos apitos anunciando a partida eminente da composição, os sons da caldeira a vapor, das rodas agarrando o aço dos trilhos, o ranger dos dormentes suportando o descomunal peso, o balanço suave da cabine de passageiros...!

Bon voyage... e feliz final de semana!

Cordial abraço,

Kleber Siqueira










Kleber Siqueira
Facebook

sábado, 18 de dezembro de 2010

CONTRASTES















Despertado pela gritaria das crianças,
naquele longínquo domingo, depois do almoço,
ainda meio zonzo daquele alvoroço,
cheguei á janela do quarto.

A de frente para o pomar.
Em pleno verão na Santa Clara.
Olhei para baixo e vi
uma imagem linda e rara.
Sob o zimbro do aramado do maracujá,
vi uma rolinha os seus ovinhos aninhar.

Voltei-me e fui para a outra janela.
A que dá para a piscina, para uma espiadela.
Vi as crianças nos seus folguedos.
No corre-corre, gritando, nos seus brinquedos.
A marronzinha, determinada,
na choca de onze dias, seus ovinhos a esquentar.
As crianças, nos folguedos sem parar.
A rolinha, pelo instinto maternal,
Contribuindo para a raça perpetuar.
As crianças, nessa idade de inocência angelical.

Francisco Mello Siqueira

Francisco Mello Siqueira
Santos, 15 de Dezembro de 2010

CARRO DE BOIS

Carro de bois na Fazenda Santa Clara, Jacutinga, Sul de Minas


Para mim a peça mais bonita
É a chamada canga.
Do arreamento é a principal
E da qual não cabe manga.
A que, aos pares, os bois junta.
Melhor chamada de junta-de-bois,
Para que a força de ambos seja conjunta.
Em madeira de lei é lavrada.
Tem perfil próprio.
Não se parece com nada.

Reta nas extremidades,
Com duas ranhuras em seus lados
Para encaixar os canzils,
Ripas de madeira,
Que mantém os bois atrelados.
É arqueada no centro e para o chão,
Parte conhecida como tamoeiro,
Com dois furos passantes da corda para prender
A canga na tiradeira ou no cambão.
Gostei tanto dessa peça,
Que com ela adornei o escritório,
Pendurada do teto, sobre a minha cabeça.

O rodeiro do carro original
Era todo construído de madeira
E o mancal era chamado de cantadeira
Porque o forte atrito provocava um som peculiar.
O rodeiro do nosso era todo de ferro. Nova versão
Daí o carro ser conhecido por carroção.
Projeto atualmente usado.

A peça seguinte mais importante
É conhecida por cambão ou cabeçalho
Sobre o qual é fixada a mesa ou assoalho
Na sua ponta existe um furo transversal,
A chaveta e um pino vertical, de ferro.
Entre os dois é fortemente fixada a canga,
pelo tambueiro, hoje, de corda resistente.
Na canga são presos os dois bois de tração.
Um de cada lado do cambão.
A junta-de-coice, ou junta-mestra, bem formada,
É a mais importante para a segurança da boiada.

A seguinte mais importante é a junta-de-guia,
Responsável por levar o carro ao seu destino, com categoria.
No treinamento, o boi é condicionado
A uma espécie de código de ordens,
Segundo o qual não haverá desordens.
O Carreiro a vara-de-ferrão sacode
E o som das argolinhas, tilintando à sua ordem, ao bois eclode.
Dirigidas a cada qual pelo respectivo nome.
Cada boi fica preso na canga com um canzil de cada lado do pescoço
Interligados por baixo, pela barbela do boi,
Por um pedaço de corda, a brocha, sem esforço.
Os bois são também ligados pelos chifres
Com corda de boa qualidade, a brocha,
Amarrados nas argolinhas, com nó que arrocha.

Entre as junta-de coice e junta-de-guia
Atrelam-se as juntas intermediárias, de agregação,
Adicionadas para aumentar a força de tração.
Não são de tanta importância.
Reservadas para bois em treinamento,
Sem perder a relevância,
Destinam-se a formação de juntas de reserva,
Para garantir um extra atendimento.

Outra peça importante do conjunto
É a da ligação das juntas entre si. É de madeira.
É conhecida por tiradeira.
Em ambas as pontas é munida de chaveta,
O rasgo para a passagem da corda de ligação
Seja com o tamoeiro, da canga seguinte ou o do cambão.

O nosso carro foi preparado
Por um mestre Carreiro, o Seu Rosino.
Na juventude ele chegou a usar
Até dez juntas de bois nas pirambeiras,
Para arrastar grandes toras de madeiras.
O treinamento de bois era com ele.
O nosso carro era para três juntas de bois,
Atrelados dois a dois.
No coice, bois de quarenta ou mais arrobas.
De um lado o Brioso e do outro o Ponteiro.
Na junta-de-guia um par, de chifres amplos, de caracus,
De um lado o Retrato e do outro o Faceiro.

Na época da colheita de café,
No fim da tarde Rosino chegava,
O carro lotado até o topo da esteira.
Brandia a vara-de-ferrão e ordenava,
Em alta voz, sempre falando com os bois.
Aos poucos o carro manobrava.
Dirigindo-se ao Brioso e ao Ponteiro,
Para entrar de ré no terrreiro,
Sem esbarrar no portão
E descarregar o carro, então.
Um belo espetáculo de maestria,
Devido ao alto grau de sua capatazia.

Francisco Mello Siqueira

Francisco Mello Siqueira
Santos, 8 de Dezembro de 2010



domingo, 16 de maio de 2010

O PARAQUEDISTA

Nos idos de oitenta inclui na minha agenda

A realização de um desejo:

A reforma da sede da Fazenda.

Prioritária, iniciei à época o ensejo.


Apesar de aposentado,

Ia à Fazenda em todos os fins de semana.

Ainda trabalhava como contratado.

Estava levando uma vida agitada, cigana.


Numa manhã de domingo festivo,

O estádio municipal estava superlotado.

Com muito estardalhaço para o tal motivo,

O alto falante estava desenfreado.


Estacionei o carro, surpreendido e admirado,

A um salto de pára-quedas assisti.

Um salto do tipo retardado,

O mais belo que até hoje vi.


À tarde, fui ao Centro Telefônico da cidade.

Muita gente aguardando a vez. Alguém saia da cabina.

Era o Cônego Vieira, o Pároco da comunidade.

Na sua indefectível e elegante batina.


Ele vem ao meu encontro e na sua voz de contralto,

Como sempre, alegre, cordial e solicito,

Deu-me os parabéns pelo salto,

Deixando-me deveras atônito.


O Cônego Sebastião Carvalho Vieira, além de líder religioso,

Empenhava-se em muitas obras seculares:

Educação, Cultura, Artes, Casa Criança e Gazeta, o jornal noticioso.

Foi um pioneiro na construção de casas populares.


- Seu Cônego, não me cabe parabéns pelo acontecido.

- Mas me disseram que foi o filho do Seu Banico!

Banico era como meu pai era conhecido.

- Não seu Cônego. Foi o Silas, filho do Seu Bandico.



-Ah, que confusão! Mas quem é esse bendito?

-Ele não é do seu tempo aqui. A ele adianto.

- Hildebrando Soares, foi dono do Cartório. Adito.

-Ele mudou-se para São Paulo há anos e tanto.


Fomos contemporâneos, Silas e eu,

No Julio Brandão, o saudoso Grupo Escolar.

Nos áureos tempos do Seu Alfeu,

Que discorria sobre Moral e Ética, para nos ensinar.


Migramos, a procura de oportunidade.

Seja para estudar ou trabalhar.

Tivemos que deixar Jacutinga, a nossa cidade.

Para a nossa independência conquistar.


Ainda jovem, perdi o Silas de vista.

Fui para Santos, onde moro desde então.

Silas para São Paulo, onde se tornou exímio pára-quedista.

Atividade que jamais faria. Tenho medo de avião.


Francisco Mello Siqueira

Francisco Mello Siqueira
Santos, 11 de Maio de 2010



domingo, 4 de abril de 2010

HOMÓNIMOS

A tia Aida, filha do Capitão
Julio Augusto de Melo,
Foi casada, em primeiras núpcias,
Com João Pinheiro Bueno, pai do seu filho donzelo
De sobrenome Melo Bueno e nome João.

Aida, ainda jovem, ficou enviuvada.
Foi morar com seus pais.
Mas o Capitão também tinha um filho João.
Quando um deles era chamado trazia dúvidas aos comensais:
Para qual João era realmente a chamada?

Com pessoas de mesmo nome a confusão se expande.
Para se evitar as balburdias do quotidiano,
A solução é acrescentar algo aos nomes.
Para acabar com o engano,
Ao seu João a vovó Inácia acrescentou Grande.

Isso pegou tão bem que na maioridade
João Grande de Melo foi o nome por ele adotado.
Desse meu tio recordo apenas de uma viagem,
Que mamãe, para visitar seus pais, havia com ele acertado,
No último quartil da década de vinte, para matar a saudade.

Foi uma longa viagem empreendida.
Mamãe, eu e Lygia, capitaneados pelo tio, demandávamos Jambeiro.
Fomos pernoitar em São Paulo.
O meu tio, verdadeiro cavalheiro,
Serviu-nos sanduíches. Os mais gostosos de nossa vida.

Os meus avós moravam numa fazenda
Distante do centro da cidade.
Essa última etapa fizemos em carro de bois.
Vencida a estrada sinuosa e pitoresca, chegamos à herdade.
Enorme sede da época da escravatura, uma triste vivenda.

Retomando o principal assunto,
Homenageio duas mulheres de nossa amizade.
Elas participaram do dia a dia de nossa família.
Ione as considerava como irmãs, com afabilidade.
Particularmente diferentes, eram iguais no conjunto.

Ambas com o mesmo raro prenome,
Além de homófono, homógrafo.
De som e grafia perfeitamente iguais.
Nordestinas, evangélicas, solteiras. Elas biografo.
Diferentes no sobrenome.

Os pais de ambas eram pastores dedicados,
Da Igreja Presbiteriana.
A saudosa Vasty Cruz era Professora de Musica.
Vasty Correa de Araujo, é médica. Samaritana.
A professora de musica tinha os ouvidos afinados.

No seio de nossa família toda,
Quando surgia dúvida a qual delas era feita a referência,
Vinha logo a resposta: Vasty doutora ou Vasty modelo.
Modelo, porque ela teria recebido uma deferência
Do Grande Dener para desfilar nas passarelas da moda.




Dra. Vasty Correa de Araújo, ao centro (de vestido vermelho)da foto, na festa de investidura de Francsico como membro da APML - Academia Maçônica Paulistana de Letras, em 30 de Maio de 2003.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

HELIOTRÓPIO

Heliotrópio

Se no tempo voltarmos muito,

Até aos idos de minha meninice,

Gratas lembranças surgem em minha mente.

Coisa esquecida, como se não existisse,

Que desejo reviver com prazer e intuito.


Na antiga casa de meus pais,

Anos depois, a sete sete meia

Da rua Américo Prado,

Minha mente rebusca e clareia

Bela arvorezinha, não esquecida jamais


Na saída da porta da cozinha,

Do lado direito, junto ao muro,

Florescia perfumado arbusto,

Engalanado do mais belo apuro,

Enriquecendo a bela arvorezinha.


De estilo particular e próprio,

A flor formava um cacho pleno,

Cônico, de cor roxa e de bico para baixo.

Bem proporcionado, um cacho pequeno.

Rara flor que conheci como Heliotrópio.




Francisco Mello Siqueira

Santos 28 de Dezembro de 2009

domingo, 22 de novembro de 2009

ZEPPELIN














Ao despertar nesta madrugada,
Perdi o sono e fui rebuscar
Os escaninhos do consciente..
E o que fui lá encontrar?
Coisa muito antiga, finada.

O ano de trinta e oito corria,
O do século passado.
Eu e mamãe participávamos
De um fato inusitado,
O qual nunca mais repetiria.

Estávamos na Confeitaria Colombo,
Conhecida, a da rua do Ouvidor,
Quando houve um tumulto e correria.
Interrompemos o repasto reparador,
E na corrida quase levei um tombo.

Era o Zeppelin, o dirigível alemão,
O motivo da algazarra.
A oportunidade foi sem igual.
Vimos a figura bizarra,
No formato de charutão.


sexta-feira, 29 de maio de 2009

REMINICENCIAS



SAUDOSISMO
(Iniciado em 20/09/2007)
O homem, no geral, é saudosista. Talvez eu seja uma excepção! Na verdade acho que não sou saudosista. Por exemplo, só passei por dois empregos, durante toda a minha vida. No primeiro, na Usina de Cubatão, da São Paulo Light, fiquei durante 14 anos. Foi lá que estabeleci o inicio de minha vida profissional, foi onde comecei a constituir a minha família, onde tive os dois primeiros filhos. Fiz poucos amigos e muitos companheiros de trabalho, vários dos quais, a seus pedidos, levei para o meu novo e segundo emprego, a COSIPA-Companhia Siderúrgica Paulista. Nessa época, já possuía um pequeno apartamento de dois quartos , em Santos. Nunca fora usado. Para ocupa-lo tive que monta-lo, pois o fogão era a única coisa que existia. Na Usina de Cubatão, da Light, o único móvel que me pertencia era u'a máquina de costura, presente de meu querido e saudoso pai à Ione. Tudo o mais era da empresa. Nessa mudança tive a sensação de estar casando com uma viúva com dois filhos. Essa era a brincadeira que costumava a fazer, junto aos familiares.
Fui para o novo emprego, a COSIPA e, como não poderia deixar de ser, empenhei- me de corpo e alma, de sorte que não tive mais tempo para recordar nada ou quase nada. Desliguei-me do passado.
Também, mudei de apartamento por três vezes, sem considerar, em todos os casos, os anteriores. Simplesmente os esqueci.
Entendo que o fato de estar empenhado em dar o melhor de mim para a minha actividade profissional foi o que me tornou materialista. A administração da casa e a educação dos filhos deixei à Ione a direção.
Depois de aposentado, as coisas mudaram. Só o fato de estar escrevendo estas notas já denuncia como tenho mudado.
Agora, preciso reformular minha postura. Tenho que dar o braço a torcer. Sou obrigado a mudar o tempo do verbo. Eu não fui saudosista. Agora eu sou um homem saudosista. Platão, o grande filósofo grego, dizia que todo e qualquer conhecimento evoca um estado anterior, no qual a alma esteve em contacto direto com a referida ideia; e, chamou a isso, reminiscência.
Esse agora de que falo não é o hoje, domingo, dia 16 de Setembro de 2007. Não, já faz um tempinho, ou melhor, um tempão.
Recentemente, em Julho passado estive em Jacutinga visitando minha filha Keila, meu genro Luiz Carlos e o neto Luiz Henrique. Então, para saciar o meu desejo de neo-saudosista, rebusquei e trouxe uma batelada de fotos, as quais estou selecionando por fases de minha vida, e/ou tipos de fotos, ao transportá-las para arquivos de meu computador. Nesse processo tenho me deleitado e, às vezes, até mesmo me emocionado ao relembrar fatos já vividos. Não há dúvida de que estou dando um importante valor às minhas recordações. A sabedoria popular diz: “Recordar é viver”. E o coração da gente é testemunha e dá mostras disso. Mas, como é prazeroso relembrar gentes, coisas e fatos! Estou vivendo!
RELEMBRANDO
Hoje sou tão saudisista que algumas de minhas poesias podem testemunhar essa minha atual disposição. Vejam as poesias TICO TICO, PINTASSILGOS e TRREMOTO, sob o título POESIA INFÂNCIA e TORA TORA TORA, sob o título POESIA FAMÍLIA.