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sábado, 11 de setembro de 2010

Meus Noventa Anos



Doença avassaladora.
O sarampo ceifava as crianças,
Da cidade e vizinhanças.
Com febre arrasadora.

Estive desenganado,
Ao léo da sorte.
Mas saí do meu leito de morte,
São e salvo, bem curado.

Porque teria sido poupado?
Difícil é poder saber.
Não cabe a nós conhecer
Os desígnios do Alcandorado.

Episódio da década de vinte.
Não teria sido pela excelência da tecnologia.
Prefiro acreditar de Deus a autoria
Do livramento desse avassalador acinte.

Na mocidade, quando procurei academia,
Surgiu um problema de saúde para me alijar
Duas vezes, do desejo de entrar para a Escola Militar.
Tive que mudar de rumo na engenharia.

No inicio de quarenta e dois outro aborrecimento:
Pleiteei o NPOR e fui reprovado.
Pelas veias encaroçadas foi confirmado
Que eu não suportaria o treinamento.

Tendo feito o primeiro ano da faculdade,
Gozava as férias escolares na minha terra.
Fui convocado para a Segunda Grande Guerra.
O exame para soldado não exigia rigorosidade.

No exame de saúde fui aprovado,
Para minha grande perplexidade.
Mas, como soldado não tive dificuldade.
Participei do treinamento, deveras pesado.

Ao Exército Brasileiro fui engajado,
No 1ª Batalhão de Pontoneiros.
Na construção de pontes. Serviços grosseiros,
Durante dez meses, como soldado.

O quarenta e três foi um ano determinante,
Para o NPOR fui transferido.
O exame de saúde não foi exigido.
E, em quarenta e cinco, declarado Aspirante.

Ao comandante fui me apresentar.
De pronto fui dispensado.
Porque o conflito estaria quase terminado,
E concluído o meu compromisso militar.

Neste caso, o meu livramento
Começou a ser ajustado
No ano de trinta e oito, passado.
E levou cinco anos para colimar o intento.

No meu livramento foi dada uma volta determinante!
Se em quarenta e dois tivesse sido aprovado,
Em quarenta e quatro o curso estaria terminado,
Na FEB, provavelmente, seria incorporado como Aspirante!

É como Deus nos salva e preserva.
Afastou-me do campo da Guerra,
Manteve-me em minha terra,
Tornou-me, do Exército, Oficial da Reserva.

Aos cinqüenta anos de idade
Um médico de Campinas quis me operar,
Para os meus rins policísticos salvar,
Outro, de São Paulo, desfez minha ansiedade:

- A doença, apesar de degenerativa,
Sua progressão é lenta.
Dela você passará dos noventa.
- Não vai atrapalhar sua vida ativa.

Recentemente, depois disso tudo,
Soube que meus cistos são singulares.
Não degenerativos, livres de azares.
Outro livramento de Deus, meu Escudo.

Em dois mil e quatro, um problema de percepção!
Doença de olhos, progressiva,
Uma retinóide pigmentária, oclusiva.
Que reduz o meu ângulo de visão.

E certa dificuldade de divisar
Objetos de cores próximas, em superposição.
Exigindo muito maior atenção
E cuidado para eles encontrar.

No final de dois mil e oito, me sobressalta
Uma trombose na perna esquerda.
Fui socorrido em tempo, sem qualquer perda.
Já estou praticamente com alta.

São poucas as minhas limitações.
Não me causam tanta dificuldade.
São próprias da terceira idade.
Levo a vida sem maiores preocupações.

Desde minha tenra idade,
Deus tem me concedido grande Graça,
Livrando-me de perigos, com uma divina Couraça,
Garantindo a minha longevidade.

Hosana nas Alturas. Alegria e Aclamação!
Mais um ano de vida Deus me acrescenta.
Chego à provecta idade de noventa,
Pela Graça da minha asserção.

Minha louvação à divina Trindade:
Louvo a Deus Pai, porque existo,
Ao nosso Salvador Jesus Cristo,
Ao Espírito Santo, de nossa fé, a identidade.

Francisco Mello Siqueira

Francisco Mello Siqueira
Santos, 11 de Setembro de 2010

sábado, 12 de junho de 2010

A ESCRAVIDÃO

Navio Negreiro

Desde os albores do mundo tem acontecido
A escravidão praticada na Terra,
Pela servidão dos vencidos
Como prisioneiros de guerra.

Em Gêneses, Capítulo catorze, há um exemplo ilustrativo.
No vale de Sindim, de quatro reis contra cinco uma guerra estourou.
Estes últimos venceram e levaram Ló, e sua casa, cativo.
Mas Abrão, seu tio, lutando contra os opressores o resgatou.

Essa prática cresceu sem censura.
Extrapolou os prisioneiros de guerra.
Cresceu a chamada escravatura
De povos que habitavam a terra.

À semelhança da tese de Hitler, da raça ariana,
A justificativa era a superioridade
Da raça européia sobre a africana.
Esta de um povo de ínfima qualidade.

Com a descoberta das Américas, as finanças
Expandiram-se com o crescimento da escravidão.
A venda de homens, mulheres e crianças
Tornou-se um atraente filão.

Os escravos comercializados
Tornavam-se propriedade dos compradores.
Aos seus patrimônios eram incorporados.
Ficando à mercê dos seus senhores.

Logo depois da descoberta
Do nosso país, já no segundo quartil
Do século dezesseis, Portugal desperta
Para o rendoso comércio do Pau Brasil.

Rendosa era a mão-de-obra usada pelos estrangeiros.
Os silvícolas, os donos das terras, foram submetidos
Ao trabalho escravo pelos forasteiros
Sob a chibata dos intrometidos.

Logo depois, com o crescimento
Da cultura da cana, do café e da sua prática,
O tráfico de escravos teve surgimento.
Trazidos para o Brasil os caçados na África.

Era um povo, na verdade uma raça,
De Angola e Moçambique oriunda.
Também do Congo. Gente que sofreu tamanha desgraça,
Submetida ao trabalho escravo, humilhação profunda.

Foi tão rendoso o comércio de escravo,
Que D Sebastião I, rei de Portugal
Decidiu eliminar o entravo:
Legalizou o trafico, tolerado e ilegal.

À distância a percorrer
Entre Angola, na África, e o Brasil,
Nos estados do nordeste, a bem dizer,
Em milhas náuticas, beira a três mil.

Os escravos eram embarcados
Nos portos de Serra Leoa, Congo e Angola.
Em Recife, Salvador e Rio eram comercializados
E entregues aos novos donos de férrea patola.

Em massa, amontoados os cativos eram transportados,
Em viagem de cinqüenta dias através do mar.
Os navios ingleses foram adaptados
Para mais escravos poderem levar.

Os porões superlotados exalavam fedor.
Pela falta de higiene e fome, sede, doença.
Muitos, debilitados não resistiam à dor
E sucumbiam. Atirá-los ao mar, era a sentença.

Essa imundice dos porões é mais bem contada
Pela magistral pena de Castro Alves no poema
Navio Negreiro, do qual, a seguir é trasladada
Pequena parte, para melhor se entender o tema.

“Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d'amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar.”


Nas fazendas os escravos moravam na senzala,
Em condições ínfimas de higiene. A vida era severa.
A disciplina era mantida com mão de ferro, em larga escala.
Por feitores, com castigo que a carne dilacera.

Aos desobedientes o açoite era aplicado de fato,
Para exemplo aos que pretendem a mesma sorte.
Aos fugitivos recapturados pelos capitães do mato
O castigo no tronco estendia até a morte.

Os que se libertavam. Os que livravam os lombos,
Refugiavam-se em comunidades,
Que ficaram conhecidas como quilombos,
Que nos três séculos de escravidão cresceram enormidades.

Quilombo dos Palmares, foi o que mais cresceu
Em Alagoas, na Serra da Barriga,
Aquele que o lendário Zumbi defendeu,
Onde o fugitivo a sua dor mitiga.

Os primeiros movimentos abolicionistas
Durante o século dezessete iniciaram-se afinal.
Com o crescimento dos negócios capitalistas
Ocorridos na antecâmara da Revolução Industrial.

Os ingleses retiraram os seus navios negreiros
Para o transporte de seus produtos manufaturados.
E assaltavam os que de negros eram cargueiros
Usando-os com melhores resultados.

A pressão dos ingleses mais aumenta.
A escravatura da África para o Brasil foi proibida por lei feroz,
Na época do Império, em mil oitocentos e cinqüenta,
Pelo Ministro da Justiça Euzébio de Queiroz.

Essa lei que leva o seu nome foi das mais importantes.
Euzébio fora Delegado e Comandante da Guarda Nacional.
Conhecia os meandros dos criminosos traficantes.
Sabia onde os prender afinal.

Na Guerra do Paraguai, no final dessa campanha
Muitos escravos o Império agracia,
Como ex-combatentes, pela notável façanha,
Concedendo-lhes Carta de Alforria.

Essa guerra, de seis anos, em setenta era finada.
No ano seguinte houve um fato de pouca praticidade.
Proposta do Visconde do Rio Branco, a Lei do Ventre Livre foi decretada.
O patrão era o tutor da criança até a maturidade.

Quase quinze anos depois surgiu a Lei do Sexagenário.
Conhecida como Lei Saraiva-Cotegipe, também sem efetividade.
Concedia liberdade aos escravos com sessenta anos, no aniversário.
Difícil era escravo chegar a essa provecta idade.

O movimento abolicionista teve como baluarte
José do Patrocínio, Rebouças e Silva Jardim.
Apesar disso faltava um forte estandarte
Com poder suficiente para colimar o fim.

A princesa Isabel sempre no empenho
Do total indulto dos escravos, tinha-o como certo.
Contrariando a vontade dos senhores de engenho,
Apoiados pelo ministro João Alberto.

Don Pedro, doente, viajou para a Europa. Do governo se desimpediu.
A Princesa Isabel, herdeira do Trono, assumiu o poder.
Num deslize do ministro João Alberto o demitiu.
Cresceu nas decisões que devia exercer.

Em oitenta e quatro a Província do Ceará em inédito acontecimento
Adianta-se ao Império e aos escravos concede a libertação.
Em oitenta e oito a Princesa pressiona o Parlamento,
Com a proposta da definitiva e total Abolição.

O Parlamento Imperial onde ela da maioria desfrutava,
Em reunião especial julgava sua proposta.
Nada mais havendo que a ela entravava
A sua aprovação foi a justa resposta.

A Princesa que em Petrópolis se encontrava.
Desceu ao Rio de Janeiro especialmente
Para assinar, em treze de maio, a lei com pena de ouro que adrede empunhava,
A Lei que acabava, no Brasil, com a escravidão definitivamente.

No Paço Imperial grande era a agitação.
A Princesa foi instada a chegar à janela,
Aclamada por grande multidão
Comemorando a histórica chancela.

A liberdade realmente era total.
Mas não dava nenhuma ajuda aos libertados.
Um “salve-se quem puder”, criando um mal.
Os africanos foram da sorte abandonados.

Decorridos mais de um século da libertação
Apesar das políticas publicas em vigor
E dos movimentos de inclusão
Os negros sofrem da desigualdade social o desamor.

Quando um povo se torna escravo,
As pessoas perdem a identidade.
Tornam-se vitimas de um agravo,
Deixam de exercer a sua individualidade.

Para o opressor todos os cativos iguais são.
Não interessa se há entre eles um líder altaneiro.
Sejam reis ou subalternos o valor é padrão.
Foi o que aconteceu com Judá no cativeiro.

Com os cativos africanos foi semelhante.
Entre eles muitos eram lideres tribais.
Cada um com seu valor foi importante.
Mas não reconhecido pelos tais.

Muitos descendentes vivem no rodapé da escala social, a classe pobre.
Só porque seus maiores foram caçados pela madrasta sorte.
Mas se assim não fora, estariam no topo da classe nobre,
Desfrutando das benesses da corte.

Francisco Mello Siqueira

Francisco Mello Siqueira
Santos, 13 de Maio de 2010

segunda-feira, 30 de março de 2009

NATAL


Francisco Mello Siqueira
Data de maior significado!
Nasceu o Menino, que chamamos Jesus.
Cresceu e morreu por nós! Morte triste, na Cruz!
Levou nossos pecados, quando crucificado.

Clima muito alegre é o clima natalino.
Muita musica! Repicar de sinos.
Da Igreja, ouvimos sacros hinos,
Alusivos ao nascer do Menino!

Esse clima envolve uma magia.
Toca profundo o coração das gentes.
Traz ao nosso ser saudade, nostalgia.

Mas o que conta mesmo é a reunião.
Abraços, beijos. Felizes, contentes!
Revemos a todos; muita emoção.
- O -

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

REVEILLON

REVEILLON
O ano Velho finda Vejo o do Novo o portal.
Do Velho, muitas bênçãos, algumas desilusões.
O Velho se foi. Do Novo, muitas antevisões.
O clima é de festa. Transpomos o Natal.

Muita gente na rua, aguardando o ano nascer.
O clima é de festa. Que movimentação!
Sinos Buzinas Apitos. Motivação.
O povo aguarda aflito o Novo aparecer.

Na mídia, a contagem é regressiva.
Acompanhamos. Isso mui nos motiva.
O Velho morre. Mas, o Novo perdura.

Tudo se repete! É a sobrevivência.
O Ano Bom, O Carnaval, A Independência.
O Natal. Por fim, é nova conjuntura!