segunda-feira, 30 de março de 2009

O QUE DIRIA O IAGO

O cão da Gilda é manso.
Não faz mal a ninguém.
Latir? Também isso nem.
Ele chega a ser um remanso.

Ele faz festa, com trejeitos.
Ela responde e ele compreende.
Carinhosamente ela o atende.
São amigos para todos os efeitos.

Ela não deixa de lhe fazer um afago..
Ela fala e também responde por ele.
Exalta sempre a inteligência dele.
Ambos se interagem no dialogo.

Gilda traduz o que ele quer dizer.
E começa então a enumerar,
O que ele pretende falar,
E aquilo que gostaria de fazer.

- O que está acontecendo?
Depois de anos que aqui moro,
Neste pedacinho que tanto adoro.
Não sei. Nem mesmo entendo!

- Esse homem que veio aqui ficar,
Que nem sei de onde saiu,
Coisa que nunca se viu!
Está querendo aqui morar.

- Com esse tal que você diz amar,
Já nem sei o que faço.
Ele está roubando o nosso espaço.
Ele veio para mandar.

- Esse que você diz que ama,
Não gosto dele Gildinha.
Ele entra sem tocar a campainha!
E deita até na sua cama!

- Chama-me de dorminhoco.
Diz que sou fedorento.
Se me chamar de pulguento,
Não vou tolerar. Vou dar-lhe o troco!

- Se continuar me ofendendo,
Gildinha. Não me responsabilizo.
Sei que vou até perder o juízo.
Ele vou acabar mordendo!

- Nunca me faz um agrado.
Não me oferece um salgadinho.
De bolo, nem sequer um pedacinho.
Esse homem não é educado!

- Quando me oferece palito,
Ele o gira no meu focinho,
Muito depressa. Não de vagarinho.
Só para deixar-me aflito!

- Ele agora inventou, nem sei se digo.
Ele diz que vai me educar!
Sabe o que ele quer? Acho que me enquadrar.
É muito mais. Colocar-me de castigo!

- Reclama do meu nariz molhado
E diz que além disso é frio.
Ele não sabe que tenho brio.
Dele, agora, vou passar ao largo.

- Há coisa que até me mata.
Ele nem me chama pelo nome.
Essa coisa me consome.
Ele pensa que sou vira-lata.

- Vou ser liso como quiabo.
Não vou dar trela pra ele.
Não gosto nada dele.
Pra ele não abano o rabo.

- Tenho nome de personagem
De novela da TV Globo.
Não sou nenhum bobo.
Meu nome tem linhagem!

- Essa novela era de vanguarda.
Dela tenho a mesma idade.
Estou em plena masculinidade.
Vou namorar a cadelinha do Guarda!

- A coluna? Preciso cuidar dela.
Eu preciso tomar cuidado,
Porque posso ficar travado.
Numa dessas, adeus cadela.

- Atualmente, tenho pensado,
Que ele não é ruim assim.
Melhor é um acordo, sim.
Tenho-o mal interpretado.

- Acho que podemos conviver.
Na nossa casinha, lar amado.
Ele, você e eu. Juntos, lado a lado.
Assim é que tem que ser.

- Por fim vou fazer um afago.
Ao Francisco e chamá-lo amigo.
E com ele jamais brigo..
Mas vou dizer-lhe que sou o Iago.

_ O _

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