O REVOLVER E A ESPADA
Política, em cidade pequena,
É pior que gangrena.
O povo se divide na época de eleição.
Até no comércio. Nas coisas do diário,
O povo só compra do correligionário.
Porque isso o partido ordena.
Na minha pequena cidade,
Desde quarenta e cinco, na verdade,
A UDN perdia as eleições.
Para o PSD, que sempre ganhava,
Com Getúlio, que na frente estava.
E parte do povo sofria da derrota, as emoções.
Derrotas devidas ao Brigadeiro do Ar,
Pé frio. Sua candidatura não conseguia decolar. .
Mas, em sessenta, surgiu um filólogo, um crânio,
Que deu à UDN estrondosa vitória.
E, mudou do Brasil, o curso da história.
Elegeu como Presidente o Jânio.
Nas comemorações, na minha terra,
Até mesmo algum ódio desenterra.
O exagero chega às raias do desmando.
Com bombas atiradas nas residências,
Dos políticos adversários em evidências.
Era a forra maldosa e nefanda.
Onze da noite ia tarde o horário.
Meu sogro, um homem temerário,
Com o estrondo da bomba se surpreende.
De revólver em punho, arrastava as filhas
Que o impediam. Robusto e forte, a arma engatilha.
Mas, ao clamor das meninas, o pai se rende.
Zé Rosa era membro do diretório e influente.
Mas papai, do partido, era o presidente.
Esperar para ele dose dupla, natural seria.
A forra da UDN tinha sabor de vingança.
Depois de quinze anos, era essa a noite da festança,
E o seu Banico também a bomba receberia.
Quando a bomba detonou,
Mamãe, determinada, da cama pulou,
Empunhou do vovô a espada.
- Banico, vamos enfrentar essa gente.
É coisa de moleque irreverente,
Uma corja, essa cambada.
Papai, com a calma que lhe era peculiar,
Verdadeiro político, sagaz, sem se agitar,
Mostrou o seu pendor de estrategista.
Ajeitou-se na cama e com tranqüilidade,
Acalmou a mamãe com toda afetividade.
Analisando o contexto como um enxadrista.
- Esse pessoal está entusiasmado,
E com vitória não está acostumado.
É um perigo tratar dessa coisa agora.
Amanhã, Conceição, eu resolvo isso.
Será o meu compromisso.
Até lá esse ardor já foi embora.
- O -
Política, em cidade pequena,
É pior que gangrena.
O povo se divide na época de eleição.
Até no comércio. Nas coisas do diário,
O povo só compra do correligionário.
Porque isso o partido ordena.
Na minha pequena cidade,
Desde quarenta e cinco, na verdade,
A UDN perdia as eleições.
Para o PSD, que sempre ganhava,
Com Getúlio, que na frente estava.
E parte do povo sofria da derrota, as emoções.
Derrotas devidas ao Brigadeiro do Ar,
Pé frio. Sua candidatura não conseguia decolar. .
Mas, em sessenta, surgiu um filólogo, um crânio,
Que deu à UDN estrondosa vitória.
E, mudou do Brasil, o curso da história.
Elegeu como Presidente o Jânio.
Nas comemorações, na minha terra,
Até mesmo algum ódio desenterra.
O exagero chega às raias do desmando.
Com bombas atiradas nas residências,
Dos políticos adversários em evidências.
Era a forra maldosa e nefanda.
Onze da noite ia tarde o horário.
Meu sogro, um homem temerário,
Com o estrondo da bomba se surpreende.
De revólver em punho, arrastava as filhas
Que o impediam. Robusto e forte, a arma engatilha.
Mas, ao clamor das meninas, o pai se rende.
Zé Rosa era membro do diretório e influente.
Mas papai, do partido, era o presidente.
Esperar para ele dose dupla, natural seria.
A forra da UDN tinha sabor de vingança.
Depois de quinze anos, era essa a noite da festança,
E o seu Banico também a bomba receberia.
Quando a bomba detonou,
Mamãe, determinada, da cama pulou,
Empunhou do vovô a espada.
- Banico, vamos enfrentar essa gente.
É coisa de moleque irreverente,
Uma corja, essa cambada.
Papai, com a calma que lhe era peculiar,
Verdadeiro político, sagaz, sem se agitar,
Mostrou o seu pendor de estrategista.
Ajeitou-se na cama e com tranqüilidade,
Acalmou a mamãe com toda afetividade.
Analisando o contexto como um enxadrista.
- Esse pessoal está entusiasmado,
E com vitória não está acostumado.
É um perigo tratar dessa coisa agora.
Amanhã, Conceição, eu resolvo isso.
Será o meu compromisso.
Até lá esse ardor já foi embora.
- O -
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