Desde os albores do mundo tem acontecido
A escravidão praticada na Terra,
Pela servidão dos vencidos
Como prisioneiros de guerra.
Em Gêneses, Capítulo catorze, há um exemplo ilustrativo.
No vale de Sindim, de quatro reis contra cinco uma guerra estourou.
Estes últimos venceram e levaram Ló, e sua casa, cativo.
Mas Abrão, seu tio, lutando contra os opressores o resgatou.
Essa prática cresceu sem censura.
Extrapolou os prisioneiros de guerra.
Cresceu a chamada escravatura
De povos que habitavam a terra.
À semelhança da tese de Hitler, da raça ariana,
A justificativa era a superioridade
Da raça européia sobre a africana.
Esta de um povo de ínfima qualidade.
Com a descoberta das Américas, as finanças
Expandiram-se com o crescimento da escravidão.
A venda de homens, mulheres e crianças
Tornou-se um atraente filão.
Os escravos comercializados
Tornavam-se propriedade dos compradores.
Aos seus patrimônios eram incorporados.
Ficando à mercê dos seus senhores.
Logo depois da descoberta
Do nosso país, já no segundo quartil
Do século dezesseis, Portugal desperta
Para o rendoso comércio do Pau Brasil.
Rendosa era a mão-de-obra usada pelos estrangeiros.
Os silvícolas, os donos das terras, foram submetidos
Ao trabalho escravo pelos forasteiros
Sob a chibata dos intrometidos.
Logo depois, com o crescimento
Da cultura da cana, do café e da sua prática,
O tráfico de escravos teve surgimento.
Trazidos para o Brasil os caçados na África.
Era um povo, na verdade uma raça,
De Angola e Moçambique oriunda.
Também do Congo. Gente que sofreu tamanha desgraça,
Submetida ao trabalho escravo, humilhação profunda.
Foi tão rendoso o comércio de escravo,
Que D Sebastião I, rei de Portugal
Decidiu eliminar o entravo:
Legalizou o trafico, tolerado e ilegal.
À distância a percorrer
Entre Angola, na África, e o Brasil,
Nos estados do nordeste, a bem dizer,
Em milhas náuticas, beira a três mil.
Os escravos eram embarcados
Nos portos de Serra Leoa, Congo e Angola.
Em Recife, Salvador e Rio eram comercializados
E entregues aos novos donos de férrea patola.
Em massa, amontoados os cativos eram transportados,
Em viagem de cinqüenta dias através do mar.
Os navios ingleses foram adaptados
Para mais escravos poderem levar.
Os porões superlotados exalavam fedor.
Pela falta de higiene e fome, sede, doença.
Muitos, debilitados não resistiam à dor
E sucumbiam. Atirá-los ao mar, era a sentença.
Essa imundice dos porões é mais bem contada
Pela magistral pena de Castro Alves no poema
Navio Negreiro, do qual, a seguir é trasladada
Pequena parte, para melhor se entender o tema.
“Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d'amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar.”
Nas fazendas os escravos moravam na senzala,
Em condições ínfimas de higiene. A vida era severa.
A disciplina era mantida com mão de ferro, em larga escala.
Por feitores, com castigo que a carne dilacera.
Aos desobedientes o açoite era aplicado de fato,
Para exemplo aos que pretendem a mesma sorte.
Aos fugitivos recapturados pelos capitães do mato
O castigo no tronco estendia até a morte.
Os que se libertavam. Os que livravam os lombos,
Refugiavam-se em comunidades,
Que ficaram conhecidas como quilombos,
Que nos três séculos de escravidão cresceram enormidades.
Quilombo dos Palmares, foi o que mais cresceu
Em Alagoas, na Serra da Barriga,
Aquele que o lendário Zumbi defendeu,
Onde o fugitivo a sua dor mitiga.
Os primeiros movimentos abolicionistas
Durante o século dezessete iniciaram-se afinal.
Com o crescimento dos negócios capitalistas
Ocorridos na antecâmara da Revolução Industrial.
Os ingleses retiraram os seus navios negreiros
Para o transporte de seus produtos manufaturados.
E assaltavam os que de negros eram cargueiros
Usando-os com melhores resultados.
A pressão dos ingleses mais aumenta.
A escravatura da África para o Brasil foi proibida por lei feroz,
Na época do Império, em mil oitocentos e cinqüenta,
Pelo Ministro da Justiça Euzébio de Queiroz.
Essa lei que leva o seu nome foi das mais importantes.
Euzébio fora Delegado e Comandante da Guarda Nacional.
Conhecia os meandros dos criminosos traficantes.
Sabia onde os prender afinal.
Na Guerra do Paraguai, no final dessa campanha
Muitos escravos o Império agracia,
Como ex-combatentes, pela notável façanha,
Concedendo-lhes Carta de Alforria.
Essa guerra, de seis anos, em setenta era finada.
No ano seguinte houve um fato de pouca praticidade.
Proposta do Visconde do Rio Branco, a Lei do Ventre Livre foi decretada.
O patrão era o tutor da criança até a maturidade.
Quase quinze anos depois surgiu a Lei do Sexagenário.
Conhecida como Lei Saraiva-Cotegipe, também sem efetividade.
Concedia liberdade aos escravos com sessenta anos, no aniversário.
Difícil era escravo chegar a essa provecta idade.
O movimento abolicionista teve como baluarte
José do Patrocínio, Rebouças e Silva Jardim.
Apesar disso faltava um forte estandarte
Com poder suficiente para colimar o fim.
A princesa Isabel sempre no empenho
Do total indulto dos escravos, tinha-o como certo.
Contrariando a vontade dos senhores de engenho,
Apoiados pelo ministro João Alberto.
Don Pedro, doente, viajou para a Europa. Do governo se desimpediu.
A Princesa Isabel, herdeira do Trono, assumiu o poder.
Num deslize do ministro João Alberto o demitiu.
Cresceu nas decisões que devia exercer.
Em oitenta e quatro a Província do Ceará em inédito acontecimento
Adianta-se ao Império e aos escravos concede a libertação.
Em oitenta e oito a Princesa pressiona o Parlamento,
Com a proposta da definitiva e total Abolição.
O Parlamento Imperial onde ela da maioria desfrutava,
Em reunião especial julgava sua proposta.
Nada mais havendo que a ela entravava
A sua aprovação foi a justa resposta.
A Princesa que em Petrópolis se encontrava.
Desceu ao Rio de Janeiro especialmente
Para assinar, em treze de maio, a lei com pena de ouro que adrede empunhava,
A Lei que acabava, no Brasil, com a escravidão definitivamente.
No Paço Imperial grande era a agitação.
A Princesa foi instada a chegar à janela,
Aclamada por grande multidão
Comemorando a histórica chancela.
A liberdade realmente era total.
Mas não dava nenhuma ajuda aos libertados.
Um “salve-se quem puder”, criando um mal.
Os africanos foram da sorte abandonados.
Decorridos mais de um século da libertação
Apesar das políticas publicas em vigor
E dos movimentos de inclusão
Os negros sofrem da desigualdade social o desamor.
Quando um povo se torna escravo,
As pessoas perdem a identidade.
Tornam-se vitimas de um agravo,
Deixam de exercer a sua individualidade.
Para o opressor todos os cativos iguais são.
Não interessa se há entre eles um líder altaneiro.
Sejam reis ou subalternos o valor é padrão.
Foi o que aconteceu com Judá no cativeiro.
Com os cativos africanos foi semelhante.
Entre eles muitos eram lideres tribais.
Cada um com seu valor foi importante.
Mas não reconhecido pelos tais.
Muitos descendentes vivem no rodapé da escala social, a classe pobre.
Só porque seus maiores foram caçados pela madrasta sorte.
Mas se assim não fora, estariam no topo da classe nobre,
Desfrutando das benesses da corte.

Francisco Mello Siqueira
Santos, 13 de Maio de 2010
4 comentários:
Prezado irmão, confrade e Amigo Francisco Melo:
Já experimentei diversas vezes certa frustração ao tentar responder ou comentar artigos de diferentes blogs, inclusive o seu.
Ao clicar "responder" com a melhor das intenções de participar, cria-se um complicado esquema, que
impede nossas boas vocações de confabular.
Frustração resulta do fato de que
uma espontânea e instantânea manifestação ou identificação cultural, seja simplesmente posta de lado, graças ao mecanicismo de pretensa proteção, que afinal destrói o âmago essencial criativo.
Obediente ao fraterno convite,
pede-se-me logo a senha, que jamais reconheço,cadastrei, dei ou recordo.
Porque essa complicação ou exigência toda,esse cadastramento demorado sobretudo para quem depende de internet discada, cuja linha cai a cada teclada? . . .
Resulta em algo desestimulante, burocrático, incompreensível, quando se trata de mera tarefa cultural, sem qualquer
responsabilidade financeira ou jurídica! . . .
Mas voltando ao que interessa, Parabenizo-o querido irmão, pelo seu poema histórico analítico em bela prosa poética, conclamando aos leitores a uma conscientização sobre a "escravidão", a lenta marcha com que a humanidade
reage aos princípios vitais de superação da animalidade original, a que evolutivamente desprezamos ou detestamos, a que nos negamos a ver com claridade e presteza, porque outros postulados racionalizados são postos em
primeiro lugar, sem que a inteligência e racionalidade concorra rapidamente para o bem com que a criação e vocação natural nos dotou, que seja urgente e prioritária na sensibilidade ou sensibilização para adivinhar o essencial e o eterno transcendente dos mandamentos divinos.
Parabéns irmão Francisco!
Receba um abraço fraterno do
Erasmo
Prezado irmão, confrade e Amigo Francisco Mello:
Já experimentei diversas vezes certa frustração ao tentar responder ou comentar artigos de diferentes blogs, inclusive o seu.
Ao clicar "responder" com a melhor das intenções de participar, cria-se um complicado esquema, que impede nossas boas vocações de confabular.Frustração resulta do fato de que uma espontânea e instantânea manifestação ou identificação cultural, seja simplesmente posta de lado, graças ao mecanicismo de pretensa proteção, que afinal destrói o âmago essencial criativo.
Obediente ao fraterno convite, pede-se-me logo a senha, que jamais reconheço,cadastrei, dei ou recordo.
Porque essa complicação ou exigência toda,esse cadastramento demorado sobretudo para quem depende de internet discada, cuja linha cai a cada teclada? . . .
Resulta em algo desestimulante, burocrático, incompreensível, quando se trata de mera tarefa cultural, sem qualquer
responsabilidade financeira ou jurídica! . . .
Mas voltando ao que interessa, Parabenizo-o querido irmão, pelo seu poema histórico analítico em bela prosa poética, conclamando aos leitores a uma conscientização sobre a "escravidão", a lenta marcha com que a humanidade reage aos princípios vitais de superação da animalidade original, a que
evolutivamente desprezamos ou detestamos, a que nos negamos a ver com claridade e presteza, porque outros postulados racionalizados são postos em
primeiro lugar, sem que a inteligência e racionalidade concorra rapidamente para o bem com que a criação e vocação natural nos dotou, que seja urgente e prioritária na sensibilidade ou sensibilização para adivinhar o essencial e o eterno transcendente dos mandamentos divinos.
Parabéns irmão Francisco! Receba um abraço fraterno do
Erasmo
Caro Ir;.e Confrade
Recebi com muita alegria e satisfação a sua mensagem e li com carinho e atenção a sua poesia
Realmente,demonstra o seu potencial literário e a sua vontade de participar e contribuir
Todos nós ,somos gratos ao GADU por ter pessoas com você em nosso convívio
Sabemos que podemos contar com você para continuar esse maravilhosa empreitada de produção Acadêmica para o engrandecimento de nossa querida APML
Com a sua permissão .estou encaminhando para os Confrades Gelson Batocchio e Antonio S.da Fonseca Jr.quem os responsáveis pelo nosso jornal
Conto com a sua presença na nossa próxima reunião do dia 26 de junho as 17 horas em minha residência
TFA
Shlomo Presidente da APML
Roberto Scarano
querido Ir Francisco - poesia linda, erudita e de muito valor literário,, parabéns
sempre que o Ir puder, nos brinde com esses trabalhos de excelentes níveis parabéns muito
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