SAUDOSISMO
(Iniciado em 20/09/2007)
O homem, no geral, é saudosista. Talvez eu seja uma excepção! Na verdade acho que não sou saudosista. Por exemplo, só passei por dois empregos, durante toda a minha vida. No primeiro, na Usina de Cubatão, da São Paulo Light, fiquei durante 14 anos. Foi lá que estabeleci o inicio de minha vida profissional, foi onde comecei a constituir a minha família, onde tive os dois primeiros filhos. Fiz poucos amigos e muitos companheiros de trabalho, vários dos quais, a seus pedidos, levei para o meu novo e segundo emprego, a COSIPA-Companhia Siderúrgica Paulista. Nessa época, já possuía um pequeno apartamento de dois quartos , em Santos. Nunca fora usado. Para ocupa-lo tive que monta-lo, pois o fogão era a única coisa que existia. Na Usina de Cubatão, da Light, o único móvel que me pertencia era u'a máquina de costura, presente de meu querido e saudoso pai à Ione. Tudo o mais era da empresa. Nessa mudança tive a sensação de estar casando com uma viúva com dois filhos. Essa era a brincadeira que costumava a fazer, junto aos familiares.
Fui para o novo emprego, a COSIPA e, como não poderia deixar de ser, empenhei- me de corpo e alma, de sorte que não tive mais tempo para recordar nada ou quase nada. Desliguei-me do passado.
Também, mudei de apartamento por três vezes, sem considerar, em todos os casos, os anteriores. Simplesmente os esqueci.
Entendo que o fato de estar empenhado em dar o melhor de mim para a minha actividade profissional foi o que me tornou materialista. A administração da casa e a educação dos filhos deixei à Ione a direção.
Depois de aposentado, as coisas mudaram. Só o fato de estar escrevendo estas notas já denuncia como tenho mudado.
Agora, preciso reformular minha postura. Tenho que dar o braço a torcer. Sou obrigado a mudar o tempo do verbo. Eu não fui saudosista. Agora eu sou um homem saudosista. Platão, o grande filósofo grego, dizia que todo e qualquer conhecimento evoca um estado anterior, no qual a alma esteve em contacto direto com a referida ideia; e, chamou a isso, reminiscência.
Esse agora de que falo não é o hoje, domingo, dia 16 de Setembro de 2007. Não, já faz um tempinho, ou melhor, um tempão.
Recentemente, em Julho passado estive em Jacutinga visitando minha filha Keila, meu genro Luiz Carlos e o neto Luiz Henrique. Então, para saciar o meu desejo de neo-saudosista, rebusquei e trouxe uma batelada de fotos, as quais estou selecionando por fases de minha vida, e/ou tipos de fotos, ao transportá-las para arquivos de meu computador. Nesse processo tenho me deleitado e, às vezes, até mesmo me emocionado ao relembrar fatos já vividos. Não há dúvida de que estou dando um importante valor às minhas recordações. A sabedoria popular diz: “Recordar é viver”. E o coração da gente é testemunha e dá mostras disso. Mas, como é prazeroso relembrar gentes, coisas e fatos! Estou vivendo!
RELEMBRANDO
Hoje sou tão saudisista que algumas de minhas poesias podem testemunhar essa minha atual disposição. Vejam as poesias TICO TICO, PINTASSILGOS e TRREMOTO, sob o título POESIA INFÂNCIA e TORA TORA TORA, sob o título POESIA FAMÍLIA.
Um comentário:
SÃO 0;57, PERDI O SONO E DESCI PARA LER UM POUCO MAIS, DE SEUS "DEPOIMENTOS" E LENDO SOBRE SAUDOSISMO, RELEMBREI MUITO DE MINHA
INFÂNCIA,NA LIGHT,PARTE NO ED.SÃO CARLOS E DEMINHA JUVENTUDE NO APTO
DA FIRMINO BARBOSA E JÁ QUASE NO TÉMINO DA FACULDADE VIVENDO NO ARCO
IRIS,JUNTOS,VOCE,MINHA SAUDOSA MÃE E JUNIOR.
POSSO AFIRMAR QUE SOU SAUDOSISTA E COMO É BOM TER O QUE RELEMBRAR.
BEIJOS,SUA FILHA, KEILA
1/12/2009
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