sábado, 6 de junho de 2009

O MAL ENCARADO

O trem já estava saindo quando entrei no vagão.
Muita gente. Praticamente estava lotado.
Começo de viagem longa, de muitas horas.
Não daria para ficar em pé. Logo estaria esgotado.
Divisei um lugar, na ala direita do corredor.
Pedi licença ao visinho, na janela, aboletado.

Estava indo para São João Del Rei, para apresentar-me
Ao Exército, e cumprir a convocação do Estado.
Depois de algum tempo de viagem, percebi
Um cara, sentado na outra ala, bem afastado,
No banco cara-dura, de frente para os demais,
Que me fitava, acintosa e fixamente, afetado.

Seu companheiro volta e meia cochichava com ele.
O que não impedia de me fixar o olhar apatetado.
Depois de algumas horas de viagem, aborrecido,
Na parada do trem, desci para um café. Aconteceu o inusitado!
Seu companheiro pediu-me desculpas, pelo irmão doente e pacifico.
Ele viajava para Barbacena para internar o irmão interditado.

O triste das aparências é o engano,
O pior, as mais das vezes, é sempre exaltado.
Achei que iria enfrentar um mau elemento.
Não pude perceber que se tratava de um adoentado.
Ele me conhecia de Itajubá. Isso é o que ele queria dizer.
Jamais poderia entender o que desejava o desajustado.

- O -

Nenhum comentário: