domingo, 21 de junho de 2009

A LA\GOA DO AMERQUINHO

A LAGOA DO AMERQUINHO

Na minha infância, época a que estou me referindo,
A estrada de ferro cruzava a cidade, do Sapucaí vindo.
Onde é a creche com o nome do papai, nos idos,
À margem da estrada, havia uma lagoa, mal falada.
Local de a molecada nadar, pelada.
O que fazíamos escondidos.

Mas não há segredo que dure,
E nada que não se apure,
E o pior para acontecer, a mim não poupa.
Um meu tio, descobrindo nossa arte,
Com mamãe, o segredo reparte,
E, sorrateiro, levou minha roupa.

Na hora de sair, descobri que ficara nu,
Mais exposto que pescoço de peru.
Rente à rua, na estrada, havia um bueiro, providencial.
Ali me abriguei. Até em casa, eu daria uma corrida,
Para sair dessa enrascada aborrecida,
E entrar pelo portão do quintal.

Esse bendito ficava aberto, até em feriado,
Mas nesse dia, o maldito estava fechado!
Pelo gabinete do papai foi à opção.
Como sempre, estava lotado.
Deixei todo mundo espantado.
Mamãe já me esperava, de chinelo na mão

Com leves chineladas, me colocou no chuveiro.
- Já lhe disse que a lagoa é um chiqueiro,
Tem até sanguessuga que transmite doenças.
- Prometa que não faz mais isso,
Também não precisa chorar por causa disso.
- Melhor é deixar de andar com essas crianças.

Dizem os psicólogos que de crianças,
A gente guarda na mente lembranças,
De fatos e coisas medonhas.
Já sonhei que estava na rua, pelado,
Só de camiseta, que a esticava, desesperado,
Para esconder minhas vergonhas.

- O -


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