domingo, 16 de maio de 2010

O PARAQUEDISTA

Nos idos de oitenta inclui na minha agenda

A realização de um desejo:

A reforma da sede da Fazenda.

Prioritária, iniciei à época o ensejo.


Apesar de aposentado,

Ia à Fazenda em todos os fins de semana.

Ainda trabalhava como contratado.

Estava levando uma vida agitada, cigana.


Numa manhã de domingo festivo,

O estádio municipal estava superlotado.

Com muito estardalhaço para o tal motivo,

O alto falante estava desenfreado.


Estacionei o carro, surpreendido e admirado,

A um salto de pára-quedas assisti.

Um salto do tipo retardado,

O mais belo que até hoje vi.


À tarde, fui ao Centro Telefônico da cidade.

Muita gente aguardando a vez. Alguém saia da cabina.

Era o Cônego Vieira, o Pároco da comunidade.

Na sua indefectível e elegante batina.


Ele vem ao meu encontro e na sua voz de contralto,

Como sempre, alegre, cordial e solicito,

Deu-me os parabéns pelo salto,

Deixando-me deveras atônito.


O Cônego Sebastião Carvalho Vieira, além de líder religioso,

Empenhava-se em muitas obras seculares:

Educação, Cultura, Artes, Casa Criança e Gazeta, o jornal noticioso.

Foi um pioneiro na construção de casas populares.


- Seu Cônego, não me cabe parabéns pelo acontecido.

- Mas me disseram que foi o filho do Seu Banico!

Banico era como meu pai era conhecido.

- Não seu Cônego. Foi o Silas, filho do Seu Bandico.



-Ah, que confusão! Mas quem é esse bendito?

-Ele não é do seu tempo aqui. A ele adianto.

- Hildebrando Soares, foi dono do Cartório. Adito.

-Ele mudou-se para São Paulo há anos e tanto.


Fomos contemporâneos, Silas e eu,

No Julio Brandão, o saudoso Grupo Escolar.

Nos áureos tempos do Seu Alfeu,

Que discorria sobre Moral e Ética, para nos ensinar.


Migramos, a procura de oportunidade.

Seja para estudar ou trabalhar.

Tivemos que deixar Jacutinga, a nossa cidade.

Para a nossa independência conquistar.


Ainda jovem, perdi o Silas de vista.

Fui para Santos, onde moro desde então.

Silas para São Paulo, onde se tornou exímio pára-quedista.

Atividade que jamais faria. Tenho medo de avião.


Francisco Mello Siqueira

Francisco Mello Siqueira
Santos, 11 de Maio de 2010



Nenhum comentário: