A realização de um desejo:
A reforma da sede da Fazenda.
Prioritária, iniciei à época o ensejo.
Apesar de aposentado,
Ia à Fazenda em todos os fins de semana.
Ainda trabalhava como contratado.
Estava levando uma vida agitada, cigana.
Numa manhã de domingo festivo,
O estádio municipal estava superlotado.
Com muito estardalhaço para o tal motivo,
O alto falante estava desenfreado.
Estacionei o carro, surpreendido e admirado,
A um salto de pára-quedas assisti.
Um salto do tipo retardado,
O mais belo que até hoje vi.
À tarde, fui ao Centro Telefônico da cidade.
Muita gente aguardando a vez. Alguém saia da cabina.
Era o Cônego Vieira, o Pároco da comunidade.
Na sua indefectível e elegante batina.
Ele vem ao meu encontro e na sua voz de contralto,
Como sempre, alegre, cordial e solicito,
Deu-me os parabéns pelo salto,
Deixando-me deveras atônito.
O Cônego Sebastião Carvalho Vieira, além de líder religioso,
Empenhava-se em muitas obras seculares:
Educação, Cultura, Artes, Casa Criança e Gazeta, o jornal noticioso.
Foi um pioneiro na construção de casas populares.
- Seu Cônego, não me cabe parabéns pelo acontecido.
- Mas me disseram que foi o filho do Seu Banico!
Banico era como meu pai era conhecido.
- Não seu Cônego. Foi o Silas, filho do Seu Bandico.
-Ah, que confusão! Mas quem é esse bendito?
-Ele não é do seu tempo aqui. A ele adianto.
- Hildebrando Soares, foi dono do Cartório. Adito.
-Ele mudou-se para São Paulo há anos e tanto.
Fomos contemporâneos, Silas e eu,
No Julio Brandão, o saudoso Grupo Escolar.
Nos áureos tempos do Seu Alfeu,
Que discorria sobre Moral e Ética, para nos ensinar.
Migramos, a procura de oportunidade.
Seja para estudar ou trabalhar.
Tivemos que deixar Jacutinga, a nossa cidade.
Para a nossa independência conquistar.
Ainda jovem, perdi o Silas de vista.
Fui para Santos, onde moro desde então.
Silas para São Paulo, onde se tornou exímio pára-quedista.
Atividade que jamais faria. Tenho medo de avião.

Francisco Mello Siqueira
Santos, 11 de Maio de 2010
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