quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O PECADO E A SALVAÇÃO...

Na década de sessenta, florescente,
Empreendemos uma viagem.
Turística, ao velho continente.
O motivo de nossa abordagem.

Éramos seis damas e eu, único varão.
Na Europa iniciava-se o outono.
Pegamos o finzinho do verão.
Paris, a Cidade Luz vivia um meio sono.

Erramos a hora de visitar
O Velho Continente eterno.
Os monumentos já estavam apagados,
Em razão da anti-sala do inverno.

Mas contar dessa viagem é o que pretendo.
Um sobressalto próprio de andarengo.
Que nos infligiu num crescendo
Na noite escura do país flamengo.

Amsterdam. Final do jantar.
Ao ponto turístico, o meretrício
O nosso guia iria nos levar.
Em meia hora o ônibus daria o inicio.













Ione não quis participar.
Mas Romilda queria ver as donas.
Depois de muito conversar, decidimos visitar
As famosas marafonas.

Fomos de taxi a uma pracinha.
As mulheres a guiza de couraça,
Semi nuas, de sutiam e calcinha,
Exibiam-se protegidas por vidraça

O ponto alto foi um fato inusitado.
Em frente ao prostíbulo jovens cantando hinos de oração
Nas vitrinas mulheres oferecendo os corpos ao pecado
Na pracinha jovens mostrando o caminho da salvação













Presente estava o Exercito de Salvação,
Em vistosas fardas a juventude em louvor.
Rapazes e moças em louvação
Cantando hinos ao Senhor

Sem taxi em hora deserta,
Caminhamos cinco quarteirões.
Eu e as mulheres em caminhada incerta,
Com medo de confrontações.

Nenhuma viva alma de sul a norte.
As ruas desertas. A capital dormia
Profundamente para nossa sorte.
Uma dádiva de Deus essa calmaria.

Quando ao hotel chegamos
Avaliamos os fatos dessa madrugada.
Agradecendo a Deus, oramos.
Sãos e salvos dessa noitada.

A pracinha é pequena só na dimensão.
O homem que lá chega para acalmar a sexualidade.
Encontra, na vitrine o pecado e nos hinos, a salvação.
Certo de que, o preço do pecado é a morte e da salvação, a eternidade.



Francisco Mello Siqueira

Francisco Mello Siqueira
Santos, 27 de Outubro de 2011

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