domingo, 25 de dezembro de 2011

A PRAÇA PRINCIPAL













Quando aportei em Itajubá, a bela cidade,
Nos idos de quarenta do século passado,
O jardim da praça principal era todo arborizado,
Com arvores frondosas, de muita idade.

Muita coisa que do vulgo é paixão,
Localizava-se naquele pequeno solo.
Primeiramente cito o Cinema Apolo,
Com Cidadão Kane e Casablanca em exibição.















Aos domingos, na matinê, o titulo
Do Flash Gordon lotava o cinema.
O suspense do seriado era o estratagema,
Para garantir bilheteria no próximo capitulo.

A seguir recordo do Grande Hotel ,
Das lojas do térreo, a de Basílio Pinto,
De produtos odontológicos. Homem distinto.
Pai do colega e amigo Manuel.
























Do Clube Itajubense, a fina flor da sociedade,
Evoco as domingueiras dançantes.
E os bailes oficiais de formatura de estudantes,
Ocasião que lotava os hotéis da cidade.

Do Bar Acadêmico, o bom restaurante.
Do chope disputado no pôquer de dados.
A degustação aos domingos de um dourado.
Local muito freqüentado por estudante.

De Alcides Faria, destaco a bela mansão.
Como prefeito, ele o jardim modificou.
Grande obra que o eternizou,
Como homem de muita visão.

O jardim foi todo demolido.
Surgiu um moderno de linhas avançadas.
Nas laterais, com largas calçadas.
Serviço rapidamente concluído.

Surgiu o “footing” nesse novo espaço,
Fazendo parte do lazer da sociedade.
Marco de encontro da mocidade.
Um importante e novo pedaço.















No “footing”, muitas voltas davam
As moças, no sentido horário.
E os rapazes, seguiam-na ao contrario.
Momento em que os flertes se cruzavam.

Depois do flerte aprovado.
O namoro era consentido.
E o casal então recém unido,
Saia, para um colóquio reservado.

Nessa hora ia começar o cinema.
O costume era a presença obrigatória.
O que fazia parte da cultura e da história.
Para os namorados, o melhor esquema.

Depois de tantos anos, com muitas rosas,
O novo jardim envelheceu.
O que era arbusto cresceu.
Tornaram-se árvores robustas e frondosas.











E nós, que naquela época, em fim.
Éramos jovens, cheios de projetos,
Envelhecemos também e já temos bisnetos,
Idosos, como as árvores desse jardim.

Estudante, na época de minhas recordações.
Longe de casa, mas integrado na comunidade.
Sempre recebido com fraterna amizade.
Tornou-se parte importante de minhas tradições.




Francisco Mello Siqueira

Francisco Mello Siqueira
Santos, 9 de Outubro de 2011





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Fotos de Itajubá antiga: CONEXÃO ITAJUBÁ

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