Na década de 70, um engenheiro da Gerência de Utilidades ao operar uma válvula da estação de redução de pressão de oxigênio, instalada no piso superior da Aciaria sofreu sérias queimaduras quando da explosão dessa instalação. Prontamente socorrido, foi hospitalizado mas não resistiu aos ferimentos, vindo a falecer.
Com o incêndio a instalação foi completamente destruída. Em seguida foi reconstruída.
Nessa época havia a expansão da usina com a construção da Aciaria 2, de Lingotamento Continuo, sob a direção do engenheiro Luiz Fernando Tavares, Superintendente de Obras.
Logo depois da ampliação da linha principal ter sido estendida até a Aciaria 2, quando uma válvula da linha principal, de 10 polegadas que se estendia aérea e paralela ao longo da Avenida Principal, situada numa plataforma de operação foi acionada, para restabelecimento do sistema, houve uma explosão atingindo de morte 5 (cinco) funcionários da Gerência de Utilidades.
Parte da plataforma, a válvula e parte da tubulação foram destruídas. Vale anotar que o ferro é também combustível.
O então presidente, Dr. Mario Lopes Leão nomeou uma comissão para apurar a ocorrência, da qual eu era o presidente e os demais membros era o engenheiro Gerson Bravo Nogueira, então Gerente da Aciaria e o Coronel Leal, representante do SNI – Serviço Nacional de Informações.
Imediatamente ponderei ao Dr. Mario a necessidade de contratar um técnico da empresa francesa fornecedora da fábrica de oxigênio, a L’Air Liquide, porque não tínhamos a experiência necessária exigida para esse fim. Ele nos atendeu e logo depois recebemos o técnico que passarei a chamar de Monsier, uma vez que não me ocorre o seu nome.
Na apuração dos fatos ouvi muitos funcionários envolvidos na operação das linhas de oxigênio, principalmente os da Gerencia de Utilidades, operadora desse sistema. O Gerson poucas vezes esteve presente, dada a sua atividade funcional. O Coronel Leal sempre esteve presente. Limitava-se apenas a ouvir. Nunca interrogava. Para mim ficou claro que o pessoal envolvido na operação da linha de oxigênio não tinha o devido conhecimento específico exigido.
A primeira ação do Monsier foi abrir a linha principal no seu ponto mais baixo na entrada da Aciaria, onde foram encontrados diversos detritos sólidos tais como pedaços de eletrodos para solda e pedaços de juntas espiraladas especiais de vedação. Evidenciou-se que depois das obras de ampliação da linha de oxigênio não foram tomadas as medidas corretas para a sua segura operação, como veremos mais adiante, nas recomendações do Monsier.
A primeira recomendação foi a construção de uma nova estação de redução de pressão no pátio da Aciaria construída de concreto armado com operação do lado de fora com total proteção do operador, tecnologia adotada na Europa.
Dentre as recomendações destacam-se:
- Todas as vezes que a linha principal for aberta para intervenções deve sofrer uma lavagem química para limpeza e higienização antes de entrar em operaçao.
- O pessoal envolvido nas intervenções da estação de redução ou equipamentos de oxigênio deverá estar vestido de avental branco e usar algodãozinho alvejado e nunca estopa. Deve prevalecer o clima de laboratório.
- As válvulas de porte devem ser munidas de “by pass”.
O técnico francês esteve conosco cerca de três meses, ao longo dos quais montei um relatório contendo todas as suas recomendações e distribui cerca de 15 cópias aos envolvidos direta ( pessoal da Gerência de Utilidades) e indiretamente no assunto, para inteirarem-se de como administrar a operação do sistema de distribuição de oxigênio.
Em 1979 aposentei.
Seis meses depois recebi um convite do Diretor Industrial Francisco Ari Souto e fui contratado como assessor de Diretoria Industrial.
Em 1990, cerca de dez anos depois dos acontecimentos relatados acima, no inicio da noite de um domingo, ao chegar em Santos, retornando de uma viagem à Jacutinga, minha cidade natal, fui informado que a equipe de gerenciamento industrial da COSIPA queria a minha presença, ainda naquela mesma noite, em uma reunião relacionada com a fábrica de oxigênio.
Confirmada a informação fui para a Usina, lá chegando por volta das 22:00 horas. Na sala de reuniões estavam o Eng. Sergio Matos, Diretor Industrial, reunido com engenheiros e técnicos da Geencia de Aciaria e da Gerencia de Utilidades. Mais ou menos quinze pessoas.
Por alguma razão a estação de redução de pressão foi desligada e uma inspeção do filtro foi feita, dentro das normas recomendadas pelo francês.
Faltava a decisão de recoloca-la em operação. Ao chegar fiz uma verificação de todos os detalhes da intervenção e constatei que todas as medidas tomadas estavam corretas.
Então concluí positivamente: -“Vamos colocá-la em serviço!”.
Em seguida, acompanhado pelo Diretor e uns dois ou três engenheiros autorizei o operador abrir a válvula e colocar a estação em serviço. Tudo funcionou a contento...
O relatório que havia feito com base na experiência anterior com o Monsier dera frutos!
A reunião foi dada por encerrada e os presentes dispensados. A madrugada da segunda feira já avançava para o alvorecer. O sucesso da partida da unidade com êxito e a ajuda de um trabalho realizado dez anos atrás recompenavam em muito o cansanço daquelas horas de trabalho...
O Diretor convidou-me para acompanhá-lo ao piso de operação dos conversores de aço para assistir a entrada da Aciaria I em operação. Café que saboreamos com satisfação ao mesmo tempo que os ruidos, sons e movimentos indicavam que a produção de aço voltava ao seu normal.
Com o sabor de missão cumprida, nos retiramos para um descanso merecido!

FRANCISCO MELLO SIQUEIRA
Santos, 10 de Junho de 2012
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