Pelo movimento filosófico do Iluminismo,
Ao combater os desmandos do estado.
O obscurantismo, a ignorância e o despotismo.
Pelo seu turno a Maçonaria
Pugnava pela liberdade
Contra, dos governos, a tirania.
Em favor da coletividade
De ambos os movimentos
Destacaram-se grandes pensadores,
Voltaire, Montesquieu e Diderot, nesses eventos.
A Maçonaria francesa tornou-se a sede dos libertadores.
Com a emancipação dos Estados Unidos
E, em oitenta e nove, a queda da Bastilha,
Uma plêiade de brasileiros, em Coimbra formados,
De um movimento libertário, no Brasil, compartilha.
Maçons iniciados, possuídos de brasilidade,
Insatisfeitos com Portugal pelo imposto extorsivo.
“Igualdade, Liberdade e Fraternidade”
Tornou-se, da Bastilha e da Maçonaria, o lema corporativo.
A revolta estava decidida, capciosa.
A maioria dos revoltosos era mineradora
De ouro, diamantes e pedra preciosa.
O “Quinto”, era o imposto, a cobrança avassaladora.
No desejo ardente de liberdade,
A conjuração queria a separação
Da Capitania de Minas Gerais, na verdade
Um novo estado. Uma nova nação.
Os mais destacados revoltosos nessa saga:
Eram Claudio Manuel da Costa, o padre Rolim,
Alvarenga Peixoto e Thomas Antonio Gonzaga,
Liderados por Tiradentes, de nome José, precedido de Joaquim.
Para o novo estado
Uma bandeira já havia.
Por Tiradentes um triângulo foi acertado.
De fundo branco, da Maçonaria.
Complementado por Alvarenga, envolveria
O triângulo com os versos em latim de Virgilio:
Significando “Liberdade Ainda Que Tardia”.
Aceito unanimemente, em concilio.
O dia da conjuração estava marcado,
Seria o da “Derrama”,
A cobrança do imposto malfadado.
Mas algo aconteceu. Uma trama!
Houve uma traição. Um grande mal.
Silvério dos Reis foi o traidor,
Em troca do perdão de dividas com Portugal,
Negociou com a Coroa a delação, sem pudor.
O palco da sedição
Foi a atual Ouro Preto, a cidade então de Vila Rica.
Jequitinhonha a todos levou a prisão.
No inquérito, a vida de cada um ele sindica.
À rainha de Portugal coube a decisão,
Maria, “A Louca”, sucessora de seu consorte
Decreta com férrea mão.
E em rigoroso inquérito, a todos leva a morte.

Tiradentes admitiu ser a única pessoa culpada.
Foi enforcado e esquartejado na praça do aterro.
A pena dos demais foi comutada
Para prisão perpetua, no desterro.

No dia vinte e um próximo, de abril,
É feriado nacional. Dia de Tiradentes.
Poucos se lembram dos infaustos dias do Brasil.
Muitos usam o feriado para o lazer, contentes.
Aos meus queridos parentes convido
A festejar no feriado os Inconfidentes.
Conhecer melhor o acontecido
Com os liderados por Tiradentes.
Devo lembrar-lhes que naquela pendenga,
Nossa linhagem marcou decidida e atuante presença,
Representada pelo ilustre Alvarenga,
Junto aos mártires daquela avença.
Minha querida vovó materna era Inácia
Batizada como Inácia de Alvarenga,
Homenagem ao seu homônimo da Inconfidência,
Conhecido por Inácio de Alvarenga.
Inácio José de Alvarenga Peixoto, em Portugal
Foi Doutor em Leis por Coimbra, a Universidade.
E Juiz de Fora de Sintra, nomeado por Pombal.
O então onipotente Ministro da atualidade.

Foi conhecido nos meios literários da sociedade
Européia, pelo lirismo de seus versos sem iguais,
Pela eloqüência de sua personalidade.
E pela carreira jurídica nos tribunais.
Ainda jovem, com a bagagem grandiosa,
À Arcádia portuguesa pertenceu.
Com a morte do pai voltou à terra saudosa.
Voltou ao Brasil, onde nasceu.
Dos meios políticos tornou-se conhecedor,
De transito fácil junto aos governos de então.
Da comarca do Rio das Mortes foi o Ouvidor.
Empresário da agricultura e da mineração.
Teve importante destaque na Inconfidência,
Brilhante intelectual possuía fortuna.
Freqüentava as altas rodas da Capitania.
Participava ativamente da coluna.
Aos quarenta e sete anos e beira,
Desposou a sua amada esposa,
Barbara Eliodoro Guilhermina da Silveira,
“Mártir da Inconfidência”, como ficou famosa.
Da alta sociedade de São João Del Rei,
Descendente do mais celebre dos sertanistas,
O Amador Bueno que não quis ser rei,
“O Cabo Maior dos Paulistas”.
Mas esses predicados
Referem-se à sua vida senhoril,
De um cidadão dos mais dedicados
Na luta pela independência do Brasil.
A sua prisão foi uma grande desonra.
Desabou na sua vida uma tormenta, grande ressaca.
Perdeu todos os bens e, o mais importante, a honra.
Não suportou o degredo em Ambaca.
Depois de poucos meses em Angola,
Em África, faleceu no exílio.
E o Brasil perdeu um filho na degola.
Que muito lutaria em seu auxílio.
Consta que Barbara, pelo que tinha sofrido,
Irremediavelmente abalada, aborrecida,
Com a perda dos bens e do marido,
Terminou seus dias ensandecida.
Em Ouro Preto, no Museu da Inconfidência,
Encontram-se os restos mortais repatriados,
Destinado a memória dos heróis dessa pendência
Os intrépidos brasileiros abnegados.
Barbara Eliodoro também foi homenageada.
Há um tumulo cuja lápide tem os seus dados.
Mas ele está vazio, sem nada,
Porque os seus despojos não foram encontrados.
A semente, um quarto de século adormecida, do desfecho hostil,
Germinou, floresceu e frutificou amadurecida,
E no sete de setembro de vinte e dois descerra,
A porta da liberdade, com a Independência do Brasil.
Os inconfidentes morreram por causa de um “Quinto”.
No Brasil de hoje pagamos um “Quarto”.
O governo é muito mais faminto,
Gosta de comer bem e estar sempre farto.

Francisco Mello Siqueira
SAntos, 21 de Abril de 2010
3 comentários:
Parabéns irmão Francisco Melo, pelo interessantissimo trabalho seu, histórico, descritivo, maçônico, que acabo de ler.
Com o trabalho que esta manhã enviei a todos os amigos receba caloroso e forte abraço do
Erasmo
Hoje é dia 21 de Abril, dia comemorativo ao sufocado “Grito” da “Inconfidência”. Achei que seria oportuno enviar-lhes este trabalho, escrito já há algum tempo. Desculpem sobrecarregá-los em meio `a vossa já extensa Agenda, como é normalmente a de todos nós. Mas vale um olhar retrospectivo, por rápido que seja, para aqueles tempos insólitos mas reais, de nossa história. Desejando-lhes as maiores venturas, e esperando abraçá-los pessoalmente na próxima oportunidade, Recebam já entretanto o abraço eletrônico do
Erasmo
O S U F O C A D O G R I T O DA I N C O N F I D Ê N C I A
Falta de fé ? Fidelidade? Ou arrojada vontade a criar civilidade?
Eram os ares do novo mundo
a que já nenhum poder podia mais corromper ! . . .
Foram ilusões, certezas, insanas lutas,
longos e maquinados sonhos de grandeza
e liberdade, aspirações sinceras, emulação ou puras ilações, visões proféticas a sugerir novas nações ? . . .
Foram valores, valores, valores sim, caldeados enfim em bolores e fulgores de angustiada , infinita e ansiada espera ,
germinados sigilosa e sub-repticiamente em cadinho
de horrores indescritíveis, deglutidos no burburinho de vozes, de cheiros fortes e odores brotando espontâneos de poros e suores de gente colorida,
sofrida, brutalmente hostilizada e ferida no mais íntimo , ínfimo e magno valor ou virtude, insultada no seu ego natural e na massa musculosa e forte submetida ao tronco e grilhões, da senzala. Dores morais, imorais, sutis, dores físicas, frias, finais, febrís, reais, intermináveis. Dores incríveis, mitigadas apenas na bondade da fé, no olhar carinhoso e conformado da mãe preta, voz lacrimosa, entoação dolente, olhos na cruz sacrificiante, suplicantes à
gratidão de poucos justos e de alguns inconfidentes, na ilusão de lealdade a ideais ou esperanças ao perdão da própria culpa, culpa de não saber de que culpa se culpavam. E a derrama? A frustração ao saber que a derrama já não se derramaria e o sofrido povo não se levantaria . . .
Foram chicotadas e chicotadas de chicotes, crueldade trespassando carnes e respingando sangues sobre olhares e faces hirtas, de olhos esbugalhados, incrédulos, corações exaltados a desgarrar-se sem atinar ao certo se era dantesco castigo aberto à alma sofredora, - tão perto de outras almas gêmeas compungidas a repelir no íntimo essa barbárie e a testemunhar silenciosa ou em névoa de lágrimas, gritantemente ao vivo, ou ainda em contrito segredo, o indizível, - ou postigo a trancar para sempre consigo aspirações da mente e corações libertos? Se a única aceite e indiscutível verdade era a do dono, senhor dos corpos, dos metais e consciências, a fazer das aparências o gáudio de suas Excelentíssimas Excelências , não restava mais o mínimo de nada , que o grito cristalino, belo e glorioso da Inconfidência , arrancado tão bravamente à carne e alma dos oprimidos que sofrem e clamam desde sempre ao infinito:
“LIBERTAS QUAE SERA TAMEN”
ERASMO FIGUEIRA CHAVES 21 DE ABRIL DE 1999
__________ Informação do NOD32 IMON 5036 (20100417) __________
Esta mensagem foi verificada pelo NOD32 sistema antivírus
http://www.eset.com.br
Querido Papai,
Estou muito feliz por esta sua homenagem ao Tiradentes, neste 21 de Abril de 2010.
A sua poesia é uma narrativa de parte da saga de um dos ramos da nossa família e ao mesmo tempo é um resumo muito bom de alguns aspectos do movimento libertário ocorrido em Minas no ano de 1789.
Já se vão lá 221 anos!
Cultivar os antepassados e os heróis nacionais é um dos pontos mais importantes para se erigir uma sociedade que não se deixe perder pelos potenciais descaminhos que eventualmente surjam ao longo da história.
Esto é o que esta sua poesia faz, de modo fácil, fluente, competente, preciso, e com muito sentimento cívico.
Aqui da distância que me encontro, posso sentir o pulsar e a vibração emocionada do meu coração mineiro e paulista ao mesmo tempo ao lembrar da divisa inconfidente “LIBERTAS QUAE SERA TAMEN”.
Salve o 21 de Abril!
Sincera e carinhosamente,
Kleber
Roanoke, Virginia, EUA
Nesse 21 de abril de 2017 renovo minha crença em um futuro melhor e promissor para a nossa querida Pátria brasileira.
Que os esforços da diversas gerações de patriotas sejam vitoriosos na luta para manter a nossa Pátria livre de opressores, corruptos e detratores que desejam subjuga-la por todos os meios.
Queremos um Brasil unido, com justiça, liberdade e igualdade para todos.
Kleber Siqueira
Houston, Texas
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